O encerramento da história de Jojo ressoou entre os espectadores ao questionar se o amor é definido por notificações ou por decisões conscientes
Love Alarm foi um dos marcos na popularização dos dramas coreanos no Brasil. A série misturou um conceito tecnológico – um aplicativo capaz de indicar se alguém nos cerca sente atração por você – com um triângulo amoroso que prendeu a atenção do público. O final, no entanto, continua gerando debates: enquanto parte da audiência esperava um destino óbvio entre Jojo e Sun-oh, a narrativa optou por um caminho que privilegiou amadurecimento e cura emocional.
A tecnologia como motor do romance digital
No cerne da série está um app que revela, em um raio de 10 metros, quem gosta de quem. Essa mecânica altera relações e normas sociais: declarações verbais tornam-se desnecessárias, privacidade emocional é posta à prova e escolhas parecem ser orientadas por sinais digitais. Para muitos espectadores, esse artifício foi o grande diferencial da produção e alimentou discussões sobre até que ponto a tecnologia deve influenciar os afetos.
A quebra de expectativa entre os protagonistas
Nos primeiros episódios, a química entre Jojo e Sun-oh parecia sinalizar um final romântico inevitável. Sun-oh representa a paixão intensa e impulsiva da juventude, com cenas que ficaram marcadas visualmente. Mas o roteiro evolui para valorizar a presença constante e a escolha consciente representadas por Hye-yeong. Para parte dos fãs, essa mudança foi interpretada como uma traição ao desenvolvimento inicial; para outros, foi uma lição sobre amor como construção diária.
Realismo versus fantasia nos dramas coreanos
Ao rejeitar o clichê do “primeiro amor” imutável, o desfecho de Love Alarm trouxe uma visão mais realista: amor nem sempre é faísca instantânea, e a convivência, segurança e apoio podem pesar mais a longo prazo. A série também reforça que a tecnologia não pode ditar sentimentos — Jojo precisa, simbolicamente, desligar seu “escudo” para compreender que amor é ação e decisão, não apenas uma notificação no celular.
O debate permanece aquecido entre fãs e críticos, o que prova que o final cumpriu um papel importante: manter a obra viva na memória e nas conversas anos após o lançamento. Colaboraram com a cobertura Joaquim Luppi e Carlos Emanoel, do Olhar Digital.
