Sticker ‘Winter Warning’ de 900 Battlefield Coins gera suspeitas e reacende debate sobre uso de conteúdos gerados por IA em jogos
Fãs de Battlefield 6 acusaram a EA de vender uma imagem aparentemente gerada por inteligência artificial depois de notarem um adesivo no jogo que mostra o que parece ser um M4A1 com dois canos. A peça em questão faz parte do pacote cosmético Windchill, vendido por 900 Battlefield Coins e que inclui seis itens — entre eles o player card sticker chamado “Winter Warning”.
O que os fãs encontraram
Na imagem do adesivo, usuários repararam que a arma aparece com dois canos, além de uma posição de mão e alinhamento da mira que não parecem corretos. O tópico no Reddit, iniciado pelo usuário Willcario, recebeu mais de 4.600 upvotes e críticas duras: “Remove this AI s**t from the store”, escreveu o redditor, dizendo preferir não ter nenhum adesivo a receber “alguma porcaria gerada por IA de baixa qualidade”.
Os jogadores trouxeram ainda exemplos recentes de outras franquias para reforçar a suspeita: após polêmicas envolvendo Call of Duty: Black Ops 7 — incluindo itens com problemas visíveis e imagens atribuídas a IA — a comunidade está mais atenta a sinais de uso de ferramentas generativas na produção de ativos visuais.
Resposta oficial e histórico da desenvolvedora
Até o momento a EA não emitiu comentário público sobre a acusação relacionada ao adesivo de Battlefield 6. Alguns fãs, porém, resgataram declarações anteriores da equipe de desenvolvimento sobre o tema. Rebecka Coutaz, gerente geral do estúdio DICE (Suécia) e das equipes agora agrupadas como Battlefield Studios, já disse que a geração por IA é “muito sedutora”, mas que, no estágio atual, não há como integrá-la ao trabalho diário de desenvolvimento. Segundo ela, ferramentas generativas são usadas em fases preparatórias para “dar mais tempo e espaço para ser criativo”, e não como produto final.
Contexto mais amplo da indústria
O uso de IA gerativa se tornou uma das questões mais quentes da indústria de jogos: editoras enfrentam pressão para reduzir custos e acelerar produção, ao mesmo tempo em que lidam com reação negativa dos jogadores quando ativos parecem claramente automatizados ou de baixa qualidade. Um relatório do Financial Times citado por fãs sugere que os novos potenciais proprietários da EA estariam apostando em IA generativa para otimizar processos — uma afirmação que aumenta a sensibilidade do público diante de qualquer sinal de conteúdo automatizado.
Rivais como Activision já sofreram repercussões: o caso do pacote com um Papai Noel zumbi de seis dedos virou meme, e a editora chegou a incluir um aviso de “conteúdo gerado por IA” na página de Black Ops 6 no Steam, após mudanças nas regras da plataforma. Outros exemplos recentes na indústria incluem a retirada do prêmio de Jogo do Ano do indie Clair Obscur: Expedition 33 por uso de IA e discussões sobre títulos como Divinity, da Larian, sobre como usar essas ferramentas sem prejudicar a confiança dos jogadores.
O que pode acontecer a seguir
A comunidade agora aguarda uma posição oficial da EA ou da DICE sobre o adesivo de Battlefield 6. Possíveis desdobramentos incluem a remoção do item, um esclarecimento sobre o processo de criação ou a adoção de um selo de transparência indicando quando ativos foram gerados com auxílio de IA — medida que outras empresas já passaram a usar. Enquanto isso, a situação evidencia que a aceitação de IA em jogos dependerá tanto da qualidade do resultado quanto da transparência das empresas com suas comunidades.
