Como a escolha do estúdio para o port de 007 Nightfire nos anos 2000 quase impediu a existência de Call of Duty como conhecemos

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Como a escolha do estúdio para o port de 007 Nightfire nos anos 2000 quase impediu a existência de Call of Duty como conhecemos

Entrevista de Michael Condrey mostra o efeito cascata de uma contratação: de 2015, Inc. a Infinity Ward e o impacto na indústria de jogos

Uma decisão aparentemente técnica tomada no início dos anos 2000 pode ter mudado para sempre o rumo dos jogos de tiro. Em entrevista a Cade Onder durante a produção de um documentário sobre Call of Duty: Modern Warfare 3, o veterano Michael Condrey — cofundador da Sledgehammer Games — contou como a escolha do estúdio responsável pelo port para PC de 007 Nightfire quase impediu o surgimento da franquia Call of Duty tal qual a conhecemos.

O encontro entre James Bond e quem viria a criar Call of Duty

Condrey trabalhou por oito anos na EA em diversos títulos de James Bond, incluindo The World Is Not Enough, Agent Under Fire e Nightfire. Em 2001/2002, enquanto a equipe estava focada na versão de console de Nightfire, a produtora buscava um parceiro para adaptar o jogo ao PC. Entre os estúdios procurados estavam Vince Zampella e Jason West, então na 2015, Inc., responsável por Medal of Honor: Allied Assault.

“Eles queriam o jogo”, relembra Condrey. “Tínhamos conversado com eles, fizemos a due diligence. Tínhamos o cartão do Vince.” Ainda assim, a EA optou por contratar a Gearbox para o port — uma versão que acabaria sendo mal recebida no PC e ficou conhecida como um port problemático.

Como uma mudança de rota gerou Infinity Ward

A decisão da EA de trazer a franquia Medal of Honor para dentro levou ao fim do relacionamento com 2015, Inc. Como resultado, Zampella e West aceitaram uma oferta da Activision e fundaram a Infinity Ward, estúdio que lançaria o primeiro Call of Duty e consolidaria o gênero de tiro moderno nas plataformas atuais.

Condrey pondera sobre o que poderia ter acontecido se 2015, Inc. tivesse sido contratada para o port de Nightfire: talvez os profissionais-chave não teriam saído, talvez a história teria seguido outro caminho. “Se tivéssemos contratado Vince e Jason para fazer o PC de James Bond, quem sabe? É um momento estranho de multiverso”, disse ele.

O elo final: Condrey, Sledgehammer e MW3

Depois de deixar a EA, Condrey fundou a Sledgehammer Games em 2009 com Glen Schofield, e anos depois a equipe colaborou com a Infinity Ward em Call of Duty: Modern Warfare 3. A narrativa lembra que decisões de negócios e técnica pequenas podem ter efeitos de longo alcance na trajetória de estúdios, carreiras e franquias inteiras.

O que a história nos ensina

O caso ilustra como contratos de port e escolhas de parcerias podem reconfigurar o mercado: um port mal feito, uma parceria encerrada e o movimento de talentos entre empresas formaram a base de uma das maiores franquias de jogos do mundo. Para Condrey, é uma curiosidade histórica — e um lembrete de que a indústria dos games é altamente dependente de momentos que, à época, podem parecer menores.

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