Papa Leão XIV critica uso de IA que ‘simula’ a realidade e alerta para bolhas informacionais após imagem de Trump como Jesus provocar polêmica durante missão à África

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Papa Leão XIV critica uso de IA que ‘simula’ a realidade e alerta para bolhas informacionais após imagem de Trump como Jesus provocar polêmica durante missão à África

Em discurso em Yaoundé, pontífice afirmou que a substituição da realidade por simulações distorce a relação com a verdade; declaração ocorre no contexto de imagem gerada por IA usada por Donald Trump

O pontífice criticou nesta semana o emprego de tecnologias que criam simulações da realidade e alertou para o risco de formação de ‘bolhas’ informacionais que fragilizam o diálogo e ampliam a polarização. O pronunciamento ocorreu durante visita à Universidade Católica da África Central, em Yaoundé, capital de Camarões.

Crítica à substituição da realidade por sua simulação

Segundo o papa Leão XIV, a crescente difusão de simulações digitais leva pessoas a viverem ‘em bolhas impermeáveis umas às outras’ e a encararem como ameaça qualquer diferença. ‘Quando a simulação se torna regra, vivemos como dentro de bolhas impermeáveis umas às outras e nos sentimos ameaçados por qualquer um que seja diferente’, disse o pontífice, acrescentando que ‘é assim que a polarização, os conflitos, os medos e a violência se espalham’.

Ele alertou que não se trata apenas de um risco de erro, mas de ‘uma transformação da própria relação com a verdade’, numa referência direta ao potencial das imagens e conteúdos gerados por inteligência artificial de transformar percepções públicas.

Contexto: imagem de Trump e repercussão

A declaração acontece em meio a controvérsia nos Estados Unidos depois que o ex-presidente Donald Trump publicou nas redes sociais uma imagem gerada por IA em que aparece representado como se fosse Jesus Cristo. A ilustração foi removida no dia seguinte e provocou reações de setores da direita religiosa americana. A menção do papa colocou o debate sobre tecnologia e verdade no centro de sua visita.

Missão na África: mensagens sociais e críticas ao extrativismo

Na mesma viagem, iniciada após uma passagem pela Argélia, Leão XIV adotou tom mais firme em outras críticas: denunciou ‘o mal causado de fora’ por quem explora recursos do continente e apelou à solidariedade entre os povos. Em Bamenda, região marcada por conflito separatista, afirmou que ‘o mundo está sendo devastado por um punhado de tiranos, mas mantém-se unido por uma multidão de irmãos e irmãs solidários’.

Em Duala, sob forte calor e diante de mais de 120 mil fiéis no Estádio de Japoma, o papa celebrou missa ao ar livre e pediu aos jovens que ‘sirvam ao país’ em vez de emigrar. Ele também condenou a corrupção e criticou ‘o lado obscuro das devastações ambientais e sociais provocadas pela frenética busca por matérias-primas e terras raras’. O pontífice citou o alto preço pago pela África na extração de cobalto, usado em tecnologia e dominado em grande parte por potências estrangeiras, com destaque para a China.

Após a celebração em Duala, Leão XIV visitou pacientes em um hospital católico e seguiu para Yaoundé, onde proferiu o discurso sobre IA e verdade. A missão ao continente inclui ainda viagens a Angola e Guiné Equatorial, com encerramento previsto para 23 de abril de 2026.

Impacto e desdobramentos

As falas do papa reacendem o debate público sobre regulação, usos éticos da inteligência artificial e responsabilidade de líderes e plataformas diante da circulação de imagens e informações manipuladas. Especialistas em tecnologia e ética apontam que, além de limitações técnicas, há risco político e social quando conteúdos fabricados são usados com fins eleitorais ou de influência.

Na agenda imediata, a repercussão da comparação entre simulação e verdade deverá intensificar pedidos por maior transparência na origem de conteúdos digitais e por medidas para reduzir a desinformação e a manipulação de imagens em campanhas políticas.

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