Karma Exorcist: metroidvania da mitologia chinesa impressiona com arte desenhada à mão, gancho versátil e combate exigente — lançamento previsto para 2027
Preview hands-on no BiliBili: First Look mostrou um 2D visualmente deslumbrante, progressão por habilidades e desafios de chefes que podem rivalizar com os grandes do gênero
Em uma apresentação durante o evento BiliBili: First Look em Shanghai, Karma Exorcist se revelou como um metroidvania capaz de fisgar fãs do gênero desde os primeiros minutos. Desenvolvido pelo estúdio Cyclos, o jogo aposta em desenhos feitos à mão, cenários atmosféricos retirados da mitologia chinesa e um leque crescente de habilidades que transformam a exploração e o combate à medida que o jogador avança.
Mundo e exploração
O protagonista do jogo emerge de um dedo de pedra petrificado e mergulha em di fu, o equivalente ao inferno na tradição folclórica chinesa. Sem memórias ou identidade clara, o caçador carrega apenas uma lâmina capaz de separar almas e a sede por erradicar quimeras e imperadores fantasmas que corrompem o submundo.
O mapa promete ser amplo: pelo menos 11 biomas distintos se abrem em todas as direções à medida que habilidades são desbloqueadas. Nas primeiras horas, foi possível explorar cavernas sombrias infestadas por lesmas, estruturas em ruínas cobertas de areia e túmulos opcionais repletos de armadilhas que lembram sequências de Indiana Jones. Futuramente, a jornada deve levar o jogador por margens cobertas de lírios-aranha vermelhos, ao Salão dos Reis e aos picos das cinco montanhas do imperador fantasma — tudo indicando um mundo rico em detalhes pronto para ser vasculhado em busca de segredos.
Combate, armas e habilidades
O combate inicial é simples: combos de espada, um rolamento para esquiva e um salto modesto. Um golpe mais poderoso, que requer recarga por meio de ataques bem-sucedidos, adiciona profundidade tática. Cada inimigo derrotado enche um odre que pode restaurar porções da barra de vida, lembrando mecânicas de jogos recentes do gênero.
Durante o hands-on foram identificados mais de 100 tipos de inimigos no jogo final, com variedade desde morcegos que lançam chamas até esqueletos com martelos pesados e soldados que emergem do chão. Para equilibrar a dificuldade, Karma Exorcist oferece 20 armas — cada uma mapeável em até três botões de ataque simultâneos — e a possibilidade de montar loadouts rápidos (o jogo completo deve permitir até oito configurações prévias). Isso facilita criar combinações: lâminas rápidas, machadões que causam grande dano e projéteis para combates à distância.
Entre as habilidades mais marcantes está o chamado soul-snatching chain, o gancho de alma obtido após derrotar um dos chefes iniciais. O gancho serve tanto para subir a áreas inacessíveis quanto para aplicações táticas em combate: prender inimigos voadores e se arremessar contra eles, ou contornar defesas de inimigos blindados puxando-se por cima. Esse recurso amplia bastante a verticalidade e o ritmo das lutas e da exploração.
Morte, progressão e ecos de Hollow Knight
A morte em Karma Exorcist puxa o jogo para uma zona conhecida entre fãs de metroidvania: ao morrer, o jogador retorna ao santuário mais recente com a saúde reduzida — um sistema que lembra o shade de Hollow Knight. É possível lutar para recuperar a alma perdida e restaurar a condição plena, ou pagar com a moeda recolhida para ressuscitar no santuário. Essa penalidade mantém a tensão nas áreas mais perigosas e faz com que cada tentativa contra chefes seja significativa.
Os confrontos com chefes variam de relativamente simples a mecanicamente complexos: o primeiro rei-fantasma pode ser vencido desviando de investidas e atacando após suas falhas, enquanto monstros subsequentes introduzem teletransporte, ataques à distância e ganchos que encurtam distâncias rapidamente — forçando o jogador a adaptar táticas e loadouts repetidamente. Assim como em títulos do patamar de Hollow Knight, repetidas mortes e aprendizado dos padrões inimigos estão no centro da experiência.
Pontos a melhorar e data de lançamento
Apesar do potencial evidente, a versão demonstrada ainda exibe arestas a serem aparadas. Menus aparentam ser trabalhos em andamento e o sistema de mapa demonstrado durante o hands-on se mostrou instável em alguns momentos — um problema considerável em um metroidvania, onde localizar entradas ocultas e relembrar pontos de interesse é parte da exploração. Houveram também relatos de bugs de colisão em lutas de chefes que ofereceram vitórias por falhas técnicas, ao invés de domínio do padrão inimigo.
Felizmente, há tempo para polimento: Karma Exorcist está previsto para 2027 e mira um lançamento simultâneo em PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC e Nintendo Switch. Com ajustes de mapa, menus e correções de bugs, o jogo tem material para figurar entre os metroidvanias contemporâneos mais celebrados — especialmente para jogadores atraídos por estética desenhada à mão, combate técnico e ambientação baseada na mitologia chinesa.
A prévia foi conduzida a partir da cobertura do evento BiliBili: First Look em Shanghai; a experiência prática e as impressões são baseadas nas primeiras horas mostradas pela desenvolvedora Cyclos. Se as ideias vistas até agora se concretizarem plenamente no produto final, Karma Exorcist pode muito bem conquistar fãs do gênero que buscam uma combinação de desafio, arte e exploração inspirada em raízes culturais distintas.
