Reggie Fils‑Aimé conta ligação em que executivo da Amazon pediu apoio financeiro ilegal para derrubar concorrentes — e por isso a Nintendo parou de vender na Amazon na era do DS

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Reggie Fils‑Aimé conta ligação em que executivo da Amazon pediu apoio financeiro ilegal para derrubar concorrentes — e por isso a Nintendo parou de vender na Amazon na era do DS

Ex‑presidente da Nintendo of America disse que recusou exigência para subsidiar preços; conflito só foi amenizado anos depois, com retorno dos jogos à Amazon em 2025.

A ligação que mudou a relação entre Nintendo e Amazon

Em uma palestra recente na New York University, Reggie Fils‑Aimé relembrou uma conversa tensa com um executivo da Amazon ocorrida no fim das gerações Wii e DS, entre o fim dos anos 2000 e início dos anos 2010. Naquele período, a Nintendo vinha gerando grande receita com seus consoles e jogos, enquanto a Amazon buscava se firmar como varejista dominante no mercado de games e alcançar o menor preço disponível.

Segundo Fils‑Aimé, a Amazon pediu um apoio financeiro — em valores que ele descreveu como “obscenos” — para subsidiar preços e superar concorrentes como o Walmart. Diante do pedido, o então presidente da Nintendo of America foi categórico: «Eu não ia fazer algo ilegal». A reação do outro lado da linha, disse ele, foi silêncio, seguido de insistência. A resposta da Nintendo foi cortar as vendas diretas para a Amazon.

Decisão e princípio: ‘Você não vai me empurrar’

Fils‑Aimé explicou que a recusa não foi apenas por respeito às leis, mas também para proteger acordos com outros varejistas. «Eu não ia colocar em risco os relacionamentos que temos com outros varejistas», afirmou, e acrescentou que a postura estabeleceu um limite: «Você não vai me empurrar. É assim que fazemos negócios.»

Segundo ele, esse tipo de firmeza ajuda a construir respeito ao longo do tempo entre fabricantes e distribuidores.

O histórico recente e o retorno em 2025

A relação conturbada entre Nintendo e Amazon não ficou restrita a esse episódio. Em 2024 surgiram rumores de desentendimentos sobre revendedores terceiros e até de retirada de produtos às vésperas do lançamento do Nintendo Switch 2 — alegações que a Nintendo negou na ocasião. A Amazon também disse estar satisfeita em oferecer produtos Nintendo diretamente aos clientes.

Depois de cerca de um ano sem títulos de primeira‑parte acessíveis com frequência na plataforma, os jogos da Nintendo voltaram a aparecer na Amazon em junho de 2025. Os detalhes por trás das tensões daquele período permanecem em grande parte não divulgados.

Aprendizado e abordagem colaborativa no lançamento do Switch

Fils‑Aimé também ressaltou que, anos depois, a Amazon esteve «na mesa» no lançamento do Nintendo Switch, em 2017. A diferença, disse ele, foi uma abordagem mutuamente benéfica que permitiu o sucesso do console. A lição, segundo o executivo, é que negociações firmes e claras, além do cumprimento das regras, são fundamentais para relações comerciais duradouras.

O episódio narrado por Fils‑Aimé ilumina um capítulo pouco conhecido da história comercial dos videogames, mostrando como decisões sobre distribuição e preço podem afetar — e redefinir — parcerias entre grandes empresas.

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