Influenciadora em ética de IA com quase 600 mil seguidores tem duas contas suspensas no Instagram; Meta não esclarece se houve revisão humana

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Influenciadora em ética de IA com quase 600 mil seguidores tem duas contas suspensas no Instagram; Meta não esclarece se houve revisão humana

Catharina Doria diz que perfis foram derrubados por violar “Community Standards on account integrity”; uma conta foi banida no momento da criação e outra foi apontada como associada a perfil infrator

Catharina Doria, influenciadora que se tornou referência em letramento crítico sobre inteligência artificial e proteção de dados, teve duas de suas contas no Instagram suspensas nas últimas semanas e teme que seu perfil principal também seja derrubado. Com quase 600 mil seguidores entre suas redes, ela explica em vídeos curtos como identificar imagens geradas por IA e alerta sobre riscos de exposição de crianças e de decisões automatizadas.

O que aconteceu

No fim de março, após adotar uma cadela resgatada chamada Miss Petunia, Catharina criou um perfil dedicado ao animal (@misspetuniathechi). Segundo ela, a conta foi suspensa instantaneamente, antes de qualquer publicação, foto de perfil ou biografia: “No momento em que eu cliquei para criar a conta, eu recebi uma notificação de que a minha conta tinha sido banida por ir contra as diretrizes da comunidade”. Em maio, o Instagram comunicou nova suspensão, desta vez de @theaisurvivalclub, comunidade mantida por Catharina para discussão sobre letramento em IA. A justificativa recebida foi que a conta estaria associada a outra que infringiu regras.

Recursos e falta de explicação

Catharina diz ter aberto recurso e enviado documento de identidade, como solicitado pela plataforma. Em seguida recebeu mensagem informando que o documento havia sido recusado, sem detalhar o motivo, e pedindo reenvio; depois disso a conta foi desativada. A influenciadora relata a apreensão porque seu trabalho é fonte de renda e reputação: “E parece tragicômico que eu sou especialista em IA ética e uma IA possa destruir a minha vida. Influencer de IA ética é banida por IA”.

A Meta foi procurada e disse que não iria se manifestar. A empresa também não esclareceu se houve revisão humana das decisões que levaram às suspensões.

Especialistas e o problema da opacidade

O advogado e pesquisador de Harvard Caio Vieira Machado afirma que o cerne da questão é a opacidade: sistemas automatizados podem sinalizar conteúdos e contas por motivos variados — desde detecção incorreta de conteúdo sexual até suposta desinformação ou associação a contas problemáticas — e o usuário não tem informação suficiente para contestar de forma efetiva. “O algoritmo deles pode ter detectado algo estranho e, a partir disso, ter sinalizado… Ou o contrário: às vezes alguma coisa que esteja gerando polêmica pode ser amplificada pelo algoritmo”, diz.

Machado lembra que, pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), qualquer cidadão pode pedir revisão humana de decisões automatizadas que afetem seus interesses. Na prática, porém, revisões ocorrem muitas vezes por equipes terceirizadas com jornadas de avaliação rápidas, o que aumenta o risco de falsos positivos.

Implicações e próximos passos

Para influenciadores e criadores de conteúdo, suspensões automáticas representam risco direto à renda e à credibilidade. Especialistas cobram transparência sobre como as plataformas classificam contas e sobre quando há intervenção humana. Do lado da usuária, Catharina segue com a conta principal ativa (@cahdoria) mas teme desdobramentos. A recomendação geral em casos assim é esgotar canais de recurso oferecidos pela plataforma, documentar todas as comunicações e, se necessário, buscar orientação jurídica com base nas previsões da LGPD sobre revisão de decisões automatizadas.

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