Sam Altman afirma que Elon Musk tentou assumir controle do ChatGPT e pedia 90% da OpenAI; julgamento pode decidir futuro da empresa

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Sam Altman afirma que Elon Musk tentou assumir controle do ChatGPT e pedia 90% da OpenAI; julgamento pode decidir futuro da empresa

Em depoimento no tribunal de Oakland, Altman negou ter traído missão pública da organização; Musk pede cerca de US$ 150 bilhões e o afastamento de Altman e Brockman

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, rejeitou nesta terça-feira (12) a acusação de Elon Musk de que ele teria desviado a empresa da missão original de servir ao interesse público. No terceiro mês de júri em Oakland, Califórnia, Altman afirmou que foi, na verdade, Musk quem buscou assumir o controle da organização, com interesses de lucro pessoal.

As acusações no processo e o que está em disputa

O processo, aberto por Musk em agosto de 2024, alega que Altman e outros o convenceram a doar US$ 38 milhões à OpenAI quando ela ainda era formalmente uma entidade sem fins lucrativos. Musk busca cerca de US$ 150 bilhões de indenização contra a OpenAI e a Microsoft, além do afastamento de Altman e do presidente Greg Brockman. Segundo a ação, os valores deveriam ser destinados a uma organização sem fins lucrativos ligada à OpenAI.

Altman negou no tribunal a ideia de que ele e Brockman tentaram “roubar uma instituição de caridade”. Ele disse ser difícil até mesmo conceber esse enquadramento e afirmou esperar que a entidade sem fins lucrativos se beneficie à medida que a OpenAI prospere. O julgamento, que pode ter testemunhos concluídos esta semana, deve levar o júri a deliberar sobre responsabilidades possivelmente até 18 de maio.

Reivindicação de controle: oferta de 90% e proposta de fusão

Altman relatou que, depois de deixar o conselho em 2018, Musk passou a exigir controle quase absoluto da OpenAI — inicialmente pedindo 90% da organização — e manteve insistência em dominar a direção da empresa mesmo depois de reduzir suas exigências. Segundo Altman, ele ficou “extremamente desconfortável” em ceder controle majoritário, citando experiências em que fundadores consolidaram poder para proteger seus interesses.

Altman também contou que Musk propôs uma fusão com a Tesla, oferta que ele recusou por entender que a fabricante de carros teria prioridades comerciais incompatíveis com a missão de pesquisa da OpenAI: “Acho que não teríamos a capacidade de garantir que (nossa) missão fosse cumprida. Fundamentalmente, a Tesla precisa atender a seus clientes e vender carros.”

Testemunhos, credibilidade e reações dentro da empresa

No tribunal, o advogado de Musk, Steven Molo, tentou questionar a integridade de Altman, citando depoimentos de ex-diretores e ex-funcionários que o descreveram como pouco confiável ou promotor de uma “cultura tóxica de mentiras”. Altman respondeu às perguntas afirmando acreditar ser “uma pessoa de negócios honesta e confiável”.

Outros depoimentos incluem o do ex-cientista-chefe Ilya Sutskever, que afirmou ter reunido provas sobre um padrão de mentiras atribuídas a Altman, e do presidente da Microsoft, Satya Nadella, que definiu o investimento da empresa como um “risco calculado”. Bret Taylor, presidente da OpenAI, declarou ter recebido em fevereiro de 2025 uma proposta formal de aquisição de um consórcio liderado pela xAI, empresa rival de Musk, para comprar a entidade sem fins lucrativos — oferta que o surpreendeu e que parecia contraditória com o espírito do processo.

Implicações para o futuro da OpenAI e do mercado de IA

O julgamento ocorre em um momento crítico: a OpenAI avalia abrir capital e vem sendo avaliada em até US$ 1 trilhão, segundo estimativas de mercado citadas no tribunal. Altman afirmou que, ao longo da existência da organização, a OpenAI recebeu aportes privados significativos — cifra que ele citou em US$ 175 bilhões — para ampliar capacidade computacional e pesquisa.

Musk se posicionou no julgamento como um defensor do interesse público diante dos riscos da IA, afirmando que “ter alguém que não seja confiável no comando da IA é um perigo muito grande para o mundo todo”. Já Altman e outros líderes da OpenAI sustentam que o desenvolvimento e a governança da empresa exigem estruturas que equilibrem missão pública e sustentabilidade financeira.

A juíza distrital Yvonne Gonzalez Rogers será responsável por determinar eventuais medidas corretivas caso o júri considere os réus responsáveis. A decisão pode reconfigurar não apenas a governança da própria OpenAI, mas também precedentes sobre controle, transparência e financiamento em empresas de inteligência artificial em rápida expansão.

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