Como o final sangrento de The Punisher: One Last Kill prepara o terreno para Spider-Man: Brand New Day no MCU
A curta-metragem devolve Jon Bernthal ao papel de Frank Castle, conclui um arco emocional e abre possibilidades narrativas para o encontro com o Homem-Aranha — sem revelar muito do que virá
Atenção: o texto abaixo contém spoilers completos de The Punisher: One Last Kill e referências a Daredevil: Born Again.
O que acontece em One Last Kill
One Last Kill volta a mostrar Frank Castle depois do conflito com o prefeito Fisk e dos eventos de Daredevil: Born Again. O curta arranca com um Frank à beira do abandono: ele executou os últimos membros ligados ao assassinato de sua família — os homens da família Gnucci — e passa por uma crise existencial sobre continuar ou não sua cruzada violenta.
Há cenas que deixam claro o estado emocional de Castle: visões de colegas de farda, lembranças da filha e um momento quase suicida no túmulo de Lisa. Em vez de pôr fim à própria vida, Frank acaba atraído de volta à violência quando Ma Gnucci (interpretada por Judith Light), a matriarca sobrevivente, decide revelar sua localização para assassinos e matadores de aluguel em Little Sicily.
O núcleo da narrativa é uma sequência longa de confronto. Frank vê vizinhos e inocentes sendo atacados, o que o empurra a agir. A batalha é brutal: dezenas de atacantes são mortos ou feridos, Frank fica gravemente machucado, e Ma Gnucci escapa — propositalmente deixada viva, o que sugere opções futuras para o personagem.
O curta termina com um Frank renovado: ele volta a vestir o colete do Punisher e executa o homem que maltratou o sem-teto e seu cão no início do filme. A mensagem final é clara: a vida de Frank como vigilante não tem fim definitivo — sempre haverá “uma morte a mais” a ser feita.
O significado do título e o destino de Frank Castle
O título One Last Kill pode soar ambíguo: seria a última morte de Frank, ou a morte simbólica de sua vida antiga? O curta indica que não se trata do fim de Frank, mas de uma constatação amarga. Mesmo diante do desejo de parar, a própria moral — distorcida — de Castle o leva a continuar. Ele não se transforma em outra pessoa: permanece sentimental, atormentado e sujeito a crises, mas reafirma seu papel como executor implacável.
Antes do lançamento havia teorias de que “one last kill” poderia significar o sacrifício final de Frank. O filme não consolida essa leitura. Ao invés disso, reforça a ideia de que a vocação do Punisher é cíclica: sempre haverá um último que se tornará o próximo alvo. A decisão de preservar Ma Gnucci ao final também abre espaço para antagonismos futuros.
Como o filme prepara o terreno para Spider-Man: Brand New Day
Embora não haja referências diretas ao Homem-Aranha em One Last Kill, o curta cumpre um papel prático: reinstaurar um status quo tradicional para Frank Castle — de volta à roupa, à rua e à atuação letal. Isso é suficiente para conectá-lo ao universo urbano de Peter Parker sem explicações complexas.
Jon Bernthal aparece em Spider-Man: Brand New Day neste ano, e o material do curta ajuda a justificar por que o Punisher já estaria ativo nas ruas quando o filme começa. A relação entre Punisher e Homem-Aranha nas HQs é antagônica: Frank mata, Peter protege vidas. One Last Kill deixa claro que Frank não mudou sua postura — então um choque de princípios com o herói da vizinhança é praticamente inevitável.
Há rumores — não confirmados oficialmente — de que Frank trabalhará com a personagem de Sadie Sink no filme (algumas teorias a ligam a uma figura mutante ou a alguém que evoca traumas pessoais de Castle). O curta dá base emocional para essa hipótese: Frank reage com força a figuras que lhe lembram sua filha, o que poderia explicar por que ele aceitaria proteger alguém alvo de perseguição, mesmo que isso o coloque em rota de colisão com o Homem-Aranha.
Além disso, o tom do curta e a escolha de manter Little Sicily como um cenário periférico do universo heroico sugerem que encontros entre vigilantes e heróis convencionais podem ocorrer fora dos circuitos habituais da cidade — o que casa com a ideia de Spaider-Man lidando com novas — e moralmente polêmicas — ameaças.
E depois? Possíveis desdobramentos no MCU
One Last Kill também funciona como cartão de visita para futuras aparições de Frank no MCU. Bernthal tem forte ligação com o personagem e o final aberto permite retornos narrativos: o curta pode preceder uma participação em Daredevil: Born Again Season 3, onde, cronologicamente, haveria espaço para Frank interferir novamente na vida de Matt Murdock (a série acabou sua segunda temporada com Murdock preso).
Nos quadrinhos, há precedentes (como “The Devil in Cell Block D”) em que Frank se coloca em posições extremas para proteger ou confrontar Daredevil. Assim, um encontro na prisão não é improvável — e a manutenção de antagonistas como Ma Gnucci dá material suficiente para uma série própria do Punisher, opção que fãs e observadores já especulam desde que o curta foi anunciado.
Por fim, One Last Kill atua mais como reintrodução do que como explicação: é um lembrete de que o Punisher continua sendo uma força sombria e ativa no coração do MCU. Se e como isso vai colidir com Peter Parker, com a equipe do Departamento de Damage Control ou com outros vilões urbanos (Tombstone e afins), só o futuro imediato dos filmes e séries dirá — mas agora sabemos que, quando Jon Bernthal entra em cena, Frank Castle volta definitivamente a matar.
Em resumo: o curta não entrega conexões explícitas com Brand New Day, mas restabelece o Punisher na dinâmica do MCU — pronto para atritos morais com o Homem-Aranha e para possíveis arcos maiores em séries e filmes vindouros.
