EUA testam drones anti-atiradores em escolas: sistema humano-controlado promete chegar em 15 segundos e neutralizar suspeitos em menos de 1 minuto
Projeto inspirado em táticas vistas na guerra da Ucrânia coloca drones em mini-hangares dentro e fora de campi para resposta imediata a tiroteios
Como funciona o sistema
A empresa Campus Guardian Angel mapeia em 3D cada escola onde pretende instalar o serviço e determina rotas de voo e pontos estratégicos. Os drones são guardados em pequenos hangares e agrupados em esquadrões de três, posicionados dentro e nos arredores dos prédios escolares. Quando o alarme é acionado, as aeronaves decolam e são pilotadas por operadores humanos a partir de uma central de emergências em Austin, no Texas.
Segundo a empresa, a intenção é que os aparelhos cheguem ao local do suspeito em até 15 segundos, possibilitando uma intervenção antes da chegada das forças policiais e reduzindo o tempo total de ataque para menos de um minuto.
Capacidades e restrições dos drones
Os drones oferecidos são fabricados nos Estados Unidos, pesam menos de um quilo, medem cerca de 25 centímetros e podem atingir velocidades de até 65 km/h. A atuação é definida conforme o comportamento do suspeito: em casos em que um menor caminha armado, a presença do drone — equipado com áudio bidirecional — pode ser suficiente para ordenar a rendição.
Se houver ataques em curso, a empresa prevê opções que vão desde o uso de agentes incapacitores não letais, como gel de pimenta, até “impactos cinéticos”. A Campus Guardian Angel ressalta que o sistema não faz uso de inteligência artificial para tomar decisões, e que todas as ações são controladas por humanos.
Onde estão os testes e quanto custa
Há projetos-piloto em andamento em escolas na Flórida e na Geórgia, financiados com recursos públicos. Em Houston, no Texas, grupos de pais têm sinalizado interesse em arcar com os custos. Os contratos oferecidos pela empresa são anuais e o preço varia conforme o tamanho da escola e o número de edifícios.
Motivação e contexto
De acordo com o portal IntelliSee, apenas em 2025 ocorreram 233 incidentes com armas de fogo em campi educacionais nos EUA. O uso de drones como “primeira linha de defesa” foi idealizado, segundo a companhia, após observações sobre a eficácia de drones pilotados em primeira pessoa no campo de batalha da Ucrânia, declarou Khristof Oborski, diretor de operações táticas da Campus Guardian Angel, à AFP.
O cofundador Bill King, ex-SEAL, disse que o cenário ideal seria instalar o sistema em todas as escolas do país e nunca precisá-lo. O projeto chega num contexto em que episódios como o massacre de Uvalde, no Texas, em maio de 2022 — quando o atirador foi neutralizado 77 minutos após o início do ataque — ainda alimentam debate sobre melhores meios de resposta e prevenção.
Pilotos do programa descrevem seu perfil mais próximo de entusiastas de videogame do que de combatentes, e afirmam sentir satisfação em poder apoiar forças de segurança e proteger estudantes, segundo depoimentos divulgados pela empresa.
