Guy Ritchie atinge ponto mais baixo da carreira com In the Grey: crítica aponta voz em off excessiva, personagens vazios e desperdício de Cavill e Gyllenhaal

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Guy Ritchie atinge ponto mais baixo da carreira com In the Grey: crítica aponta voz em off excessiva, personagens vazios e desperdício de Cavill e Gyllenhaal

Filme de 97 minutos chega aos cinemas, mas falha ao transformar um esquema de heist em sequência interminável de explicações em voz over

In the Grey, novo filme escrito e dirigido por Guy Ritchie e em exibição nos cinemas, tenta se posicionar como um thriller de ação centrado em uma operação policial/criminosa comandada por uma mulher inteligente e sem escrúpulos. No papel principal está Eiza González como Rachel Wild, uma advogada que coordena tanto operações legais quanto ilegais para recuperar um dinheiro roubado pelo chefão Salazar (Carlos Bardem). Apesar do elenco conhecido — com Henry Cavill e Jake Gyllenhaal como seus principais agentes — a produção tem sido criticada por transformar seu potencial em monotonia.

Vozes em off dominam e esvaziam o filme

Logo na abertura, a voz de Rachel explica de forma direta o significado do título: ela atua “no cinza”, entre o legal e o ilegal, o moral e o amoral. Essa opção narrativa poderia ser usada com parcimônia para dar textura ao personagem, mas Ritchie se apoia na técnica em excesso. Boa parte do longa é composta por narrações ou explicações explícitas sobre o plano que a equipe fará, o que, segundo críticos, transforma cenas que poderiam gerar tensão em uma aula de roteiro.

Sequências clássicas do universo de assaltos e espionagem — o momento em que um time descreve como um plano será executado antes do golpe — se repetem até a exaustão. Em vez de ver a equipe improvisando diante do imprevisto, o público é informado por voz over sobre cada passo e resultado esperado. Isso gera uma sensação de preguiça narrativa: Ritchie parece preferir contar em vez de mostrar, abrindo mão do desenvolvimento de personagens e de dinâmicas entre eles.

Personagens superficiais e desperdício de elenco

O roteiro deixa à margem a complexidade emocional dos protagonistas. Rachel é apresentada como feroz e calculista, mas não ganha camadas além dessa definição inicial. Sid (Henry Cavill) e Bronco (Jake Gyllenhaal), os braços armados da operação, são reduzidos a estereótipos — caras durões que gritam ordens e seguem o plano. A falta de distinção entre os dois chega a ser notável: ambos exibem o mesmo comportamento, sem motivos pessoais que motivem o interesse do público.

O restante da equipe também não escapa: personagens com nomes como Baker e Gucci são funcionalmente competentes, mas desprovidos de traços que os tornem memoráveis. A consequência é que, mesmo em cenas de ação — perseguições e tiroteios —, o espectador não encontra razões emocionais para se importar com o que acontece na tela.

Elenco e escolhas de escalação

A química e o talento do elenco não bastam para superar problemas de escrita e direção. Cavill e Gyllenhaal aparentam pouco a fazer além de gesticular e verbalizar instruções, enquanto Eiza González, apesar de carismática, soa deslocada no papel de líder experiente. Alguns críticos lembram que Rosamund Pike, presente em cenas menores como rival de Rachel, exala a energia que o filme queria para a protagonista, o que levanta dúvidas sobre escolhas de casting.

Guy Ritchie tem um histórico de altos e baixos, com trabalhos anteriores que combinavam estilo e ritmo de maneira mais envolvente — como The Man from U.N.C.L.E. — e produções recentes que às vezes passaram sem deixar marca. In the Grey, segundo a análise, marca um dos momentos menos inspirados do diretor, por falhar em transformar elementos do gênero em entretenimento eficiente.

Veredito e recomendações

Em resumo, In the Grey é criticado por sua dependência de voz em off, personagens essencialmente vazios e ação que não gera impacto emocional. Apesar do talento técnico e do elenco reconhecido, o filme é classificado como um ponto baixo na filmografia de Ritchie, por desperdiçar potencial e não oferecer motivos para que a audiência se envolva. Para quem busca thrillers de equipe com ritmo e carisma, a recomendação é cautela: o longa pode decepcionar quem espera algo mais do diretor e do elenco.

In the Grey está em cartaz nos cinemas.

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