Presidente do Irã ordena restabelecer internet internacional após 87 dias de bloqueio que chegou a afetar Starlink
Medida encerra apagão digital usado para conter protestos; especialistas dizem que governo usou jamming contra antenas de satélite
O presidente do Irã determinou o restabelecimento do acesso à internet internacional no país, que passou 87 dias com conexão severamente restringida em razão de bloqueios implementados durante uma onda de protestos. Autoridades iranianas costumam recorrer a apagões digitais em momentos de tensão política ou conflito, medida que dificulta a mobilização e a circulação de informações independentes.
Como o bloqueio atingiu serviços por satélite
Apesar de a internet via satélite operar sem infraestrutura física local, o governo iraniano conseguiu afetar parte desses serviços. Segundo Amir Rashidi, diretor da organização Miaan Group, foram usados jammers — equipamentos que geram interferência em sinais — posicionados próximos às antenas da Starlink para atrapalhar o funcionamento do serviço.
Provedores de monitoramento e privacidade relataram o impacto do apagão: a Proton VPN informou queda acentuada nas conexões originadas no Irã, e o NetBlocks registrou que a população ficou praticamente isolada do resto do mundo. Esses relatos indicam que, além de bloqueios em redes fixas e móveis, houve ações direcionadas para limitar opções alternativas de comunicação.
Métodos e limitações do bloqueio
Especialistas ouvidos anteriormente explicaram que um governo pode interromper o acesso à internet obrigando operadoras a suspender sinais transmitidos por cabos submarinos, fibras e torres de celular. Em relação à internet via satélite, a estratégia é mais complexa: as empresas não dependem de infraestruturas locais, o que obriga o uso de técnicas de jamming para embaralhar os sinais entre satélites e antenas dos usuários. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, apontou essa tática como a solução adotada pelas autoridades iranianas.
Efeitos sobre protestos, informação e segurança
Pesquisadores e ativistas alertaram que apagões digitais dificultam a organização de protestos, restringem a circulação de informações independentes e favorecem a difusão de narrativas pró-governo. Em contextos de violência ou ataques militares, o bloqueio também pode impedir que civis recebam alertas de evacuação e avisos de segurança em tempo real, aumentando riscos à população.
Com a ordem presidencial para restabelecer a internet internacional, resta observar como será o retorno efetivo dos serviços e se medidas para evitar interferências persistirão. Organizações de monitoramento e empresas de tecnologia continuam acompanhando a situação para avaliar a extensão das interrupções e possíveis danos à infraestrutura e à liberdade de acesso à informação.
