Engenheiro do Google é indiciado por usar dados internos para ganhar US$ 1,2 milhão em apostas na Polymarket; preso e liberado mediante fiança
Autoridades dos EUA afirmam que o empregado usou acesso antecipado a informações internas para fazer apostas em mercado de previsões, obtendo cerca de US$ 1,2 milhão (aprox. R$ 6 milhões)
Um engenheiro do Google foi indiciado no Distrito Sul de Nova York por supostamente usar informações internas da empresa para obter ganhos com apostas na plataforma de mercado de previsão Polymarket, segundo documentos do gabinete do procurador. A investigação federal diz que Michele Spagnuolo, cidadão italiano residente na Suíça, converteu conhecimento privilegiado em lucros de aproximadamente US$ 1,2 milhão.
Como teria ocorrido o esquema
De acordo com as autoridades, Spagnuolo teria acessado material de marketing e outros dados internos por meio de uma ferramenta disponível para funcionários do Google. Em vez de limitar o uso desse conteúdo ao trabalho, ele teria feito apostas na Polymarket entre outubro e dezembro do ano anterior. No total, o gabinete do procurador afirma que foram feitos cerca de US$ 2,7 milhões em apostas relacionadas ao Google, das quais resultaram mais de US$ 1 milhão em lucro ao empregado.
As apostas teriam sido feitas com criptomoedas em várias contas, algumas usando o pseudônimo AlphaRaccoon. Investigadores do FBI conseguiram vincular pelo menos uma conta a Spagnuolo ao encontrar um cadastro feito com documento de identificação italiano.
Apostas específicas e o caso D4vd
Entre os palpites mais lucrativos, segundo os autos, estavam previsões sobre quem seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025. Os documentos apontam que Spagnuolo apostou contra nomes como Bianca Censori e o ex-presidente Donald Trump, e apostou a favor do cantor D4vd — resultado que tinha probabilidades muito baixas na plataforma até que dados internos, aos quais ele supostamente teve acesso, mostraram a tendência.
O processo observa ainda que D4vd está atualmente preso sob acusação de assassinato de uma adolescente, circunstância que não está relacionada às ações de Spagnuolo, mas que formou o contexto das buscas que definiram o resultado da aposta.
Prisã o, fiança e reação das empresas
Spagnuolo foi detido em 27 de maio e apresentado a um juiz federal em Nova York. Ele foi liberado mediante fiança de US$ 2,25 milhões. A Procuradoria trabalhou com o FBI na operação.
O Google informou que está colaborando com as autoridades e que o funcionário foi colocado em licença. A empresa destacou que, embora a ferramenta usada para acessar o material seja disponível a funcionários, usar informações confidenciais em benefício próprio viola suas políticas. A Polymarket também disse ter cooperado com as investigações.
Rastreamento em blockchain e implicações legais
Investigadores ressaltaram que transações em blockchain são transparentes e rastreáveis, o que ajudou a traçar o fluxo de criptomoedas usadas nas apostas. O caso levanta questões sobre como plataformas de previsão e pagamento em cripto interagem com regras de uso de informação confidencial e com leis norte-americanas que coíbem abuso de informação privilegiada.
Spagnuolo não respondeu a pedidos de comentário, segundo reportagem. Perfis públicos indicam que ele trabalhava no Google há mais de 12 anos, com foco em segurança da informação.
O indiciamento ainda precisa passar por fases processuais nos EUA e poderá definir precedentes sobre fiscalização de mercados de previsão e o uso de dados corporativos para fins de apostas, especialmente em ambientes que usam criptomoedas.
