Trump assina decreto que dá ao governo acesso antecipado a modelos de IA, reduz prazo de avaliação para 30 dias e busca proteger vantagem sobre a China
Medida volta a estabelecer regras para avaliação de modelos avançados, com caráter voluntário e foco na segurança digital
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou em 2 de junho de 2026 um decreto que prevê a possibilidade de o governo ter acesso antecipado a modelos avançados de inteligência artificial (IA) para fins de supervisão e segurança digital. A iniciativa foi negociada com grandes empresas do setor, como Google, OpenAI e Anthropic, que poderão submeter voluntariamente seus modelos a uma avaliação antes do lançamento público.
Voluntariedade e redução do prazo de revisão
O texto deixa explícito que não institui um controle prévio obrigatório do governo sobre novos modelos. A abordagem é parecida com a adotada pelo ex-presidente Joe Biden em 2023, que exigia o compartilhamento de resultados de testes de segurança, mas foi revogada por Trump ao reassumir o cargo por considerá-la excessivamente restritiva.
Uma diferença importante é o prazo para análise: versões anteriores do decreto estabeleciam até 90 dias para o exame dos modelos; a versão assinada reduziu esse período para 30 dias. Autoridades pró-competitividade justificaram a mudança afirmando que “na corrida pela IA, cada dia conta”.
Centro de coordenação para segurança digital em IA
O decreto determina que o Departamento do Tesouro, a Agência de Segurança Nacional (NSA) e a CISA (agência de segurança cibernética) criem um centro de coordenação dedicado à segurança digital relacionada à IA. O grupo trabalhará em parceria com o setor privado e operadores de infraestruturas críticas para identificar vulnerabilidades, priorizar correções e conter atores maliciosos.
Kent Walker, executivo responsável por assuntos públicos do Google, classificou a medida como um “passo importante” que oferece mais ferramentas para defensores do ciberespaço.
Reações do setor e contexto político
Fontes informam que o CEO da OpenAI, Sam Altman, pretende se manifestar contra a proposta durante visita a Washington e que pode pedir ao Congresso aumento de financiamento para testes de IA no Departamento de Comércio. A assinatura segue um episódio em que o modelo Mythos, da Anthropic, demonstrou potencial para expor falhas em sistemas sensíveis e levou a empresa a não lançar o produto ao público.
Antes da assinatura, Trump chegou a cancelar uma versão do decreto que seria adotada em 25 de maio, citando desacordo com “alguns aspectos” e receio de prejudicar a vantagem dos EUA em relação à China. Analistas apontam que houve intensa pressão interna — incluindo a atuação de conselheiros que defendiam maior alinhamento com empresas de tecnologia — o que expôs tensões entre grupos favoráveis e contrários à regulação.
A medida representa um recuo parcial do governo em relação à posição anterior contra qualquer regulação, ao mesmo tempo em que tenta equilibrar segurança digital, competitividade internacional e os interesses das empresas de IA.
