Por que a estreia da SpaceX na bolsa pode transformar Elon Musk no primeiro trilionário e reconfigurar o mercado de IA e o setor espacial

PUBLICIDADE

Por que a estreia da SpaceX na bolsa pode transformar Elon Musk no primeiro trilionário e reconfigurar o mercado de IA e o setor espacial

Oferta inicial que começa em 12 de junho abre a empresa ao público, mas levanta perguntas sobre avaliação, controle acionário e a dependência de apostas em inteligência artificial

A SpaceX, empresa fundada por Elon Musk, inicia a negociação de ações em 12 de junho em uma das ofertas públicas iniciais (IPO) mais aguardadas da história. Segundo o prospecto e os bancos responsáveis pela operação, a avaliação atribuída à companhia alcança cerca de US$ 1,75 trilhão — valor que a colocaria entre as dez maiores empresas do mundo.

O movimento permitirá que investidores de varejo comprem uma parcela da empresa que, até agora, esteve majoritariamente nas mãos de Musk e de investidores privados. A oferta inicial contempla apenas 5% do capital (aproximadamente US$ 75 bilhões), mas já gerou intensa procura de corretoras e plataformas, especialmente no Reino Unido, onde investidores de varejo devem receber cerca de £ 1,5 bilhão.

O que muda com o IPO

Além de abrir a propriedade da SpaceX a uma base de investidores muito maior, a listagem transformará a empresa em um ativo negociado publicamente com maior visibilidade e liquidez. Para muitos, a oferta representa a chance de participar de projetos espaciais de grande escala e de negócios ligados à inteligência artificial.

Para Elon Musk, a venda parcial deve ampliar ainda mais sua riqueza: a operação é vista como a maior aposta de sua carreira e pode torná‑lo o primeiro trilionário em dólares, caso o valor de mercado se sustente. Mas a entrada em bolsa também impõe maior escrutínio regulatório e expectativas de desempenho financeiro e transparência que a SpaceX, como grupo multifacetado, terá de enfrentar.

Avaliação e o que, de fato, está sendo comprado

Atribuir US$ 1,75 trilhão a uma empresa que reportou perdas próximas a US$ 5 bilhões no último ano exige aceitar projeções de crescimento extraordinárias. A SpaceX reúne múltiplos negócios: fabricação e lançamento de foguetes, operação da constelação de satélites Starlink, serviços de lançamento para clientes comerciais e governamentais, além de iniciativas em computação e IA, como a xAI.

Os analistas apontam que os negócios espaciais e de comunicações efetivamente demonstraram receita e vantagem tecnológica — a Starlink, por exemplo, teve papel estratégico em comunicações durante conflitos como o da Ucrânia —, e mesmo assim as estimativas mais otimistas colocam essa parcela em torno de US$ 300 bilhões, menos de 20% da avaliação total atribuída à empresa.

A grande aposta em IA e centros de dados no espaço

O prospecto deixa claro que a principal justificação para o valuation enorme é a aposta em inteligência artificial: a SpaceX afirma ter identificado um mercado total endereçável de US$ 28,5 trilhões, dos quais US$ 26,5 trilhões estariam ligados a serviços de IA. Essa visão incorpora planos ambiciosos, como centros de dados no espaço — alimentados por energia solar e resfriados pelo vácuo — e o desenvolvimento de infraestrutura capaz de oferecer poder computacional massivo.

Além disso, a companhia controla a xAI, braço dedicado a pesquisa e produtos de IA que, segundo o prospecto, será central para capturar grande parte desse mercado. Para que as projeções se concretizem, porém, será preciso que a indústria de IA cresça em escala comparável à economia de grandes blocos econômicos; trata‑se, portanto, de uma aposta que combina tecnologia, visão de longo prazo e grandes riscos.

Riscos: controle de Musk, bolha e implicações geopolíticas

O prospecto também revela pontos de tensão que investidores devem considerar. Musk consta como fundador, CEO, diretor de tecnologia e presidente do conselho. Embora detenha 42% das ações, mecanismos de voto dão a ele, na prática, controle sobre 85% da companhia. Essa estrutura levanta a questão do que significa possuir ações sem voz real nas decisões estratégicas.

Críticos alertam para o risco de uma nova onda “pontocom”: títulos de empresas de tecnologia com metas grandiosas, mas sem histórico consolidado de lucros, podem inflar demais e depois corrigir fortemente. A oferta inicial de apenas 5% pode ser seguida por novas vendas, e a chegada simultânea ao mercado de outras gigantes de IA, como Anthropic e OpenAI (caso façam IPOs), pode somar trilhões de novas ações à oferta global e pressionar preços.

Há ainda preocupações sobre a concentração de poder econômico e geopolítico. A Starlink já mostrou importância estratégica em conflitos e a expansão de empresas com atuação em IA e comunicações coloca governos diante de novas dependências tecnológicas. Além disso, o histórico de envolvimentos políticos de Musk — incluindo doações e contratos governamentais — alimenta debates sobre a influência que um bilionário com controle reforçado pode exercer.

Por outro lado, quem aposta em Musk lembra sua capacidade de captar recursos e enfim entregar resultados surpreendentes: em menos de duas décadas, seus projetos já transformaram setores inteiros — da indústria automotiva com a Tesla ao acesso ao espaço com a SpaceX.

Em resumo, a estreia da SpaceX na bolsa é um marco com potencial para redesenhar mercados, concentrar ainda mais poder em megacorporações e acelerar investimentos em IA. Para investidores, representa uma oportunidade com retorno potencial elevado, mas também riscos consideráveis ligados à avaliação, ao controle acionário e à dependência de apostas tecnológicas de longo prazo.

Enquanto o mercado observa o início da negociação em 12 de junho, a grande pergunta permanece: os investidores estão comprando uma empresa comprovada de lançamentos e comunicações ou pagando hoje por um futuro fortemente condicionado à expansão da inteligência artificial e à marca de Elon Musk?

Mais recentes

PUBLICIDADE