Golpe sofisticado com RTX 4090: placa vendida na China tinha ‘die’ de plástico e memórias falsas — saiba como não cair nesse golpe
Lojista comprou placa por cerca de US$ 222 (R$ 1.200) e descobriu que o chip principal era plástico moldado; fraude alerta para riscos do mercado de usados
Um novo caso de fraude envolvendo placas de vídeo de alto desempenho chamou atenção ao revelar um nível inédito de falsificação: uma RTX 4090 vendida como usada e com defeito na China tinha, no lugar do chip gráfico, um pedaço de plástico moldado para imitar o die da NVIDIA. A descoberta foi relatada por um lojista conhecido como Brother Zhang e divulgada por veículos de tecnologia a partir de relatos locais.
Como o golpe foi descoberto
Brother Zhang comprou a placa por cerca de US$ 222 (aproximadamente R$ 1.200) com a intenção de tentar reparar o componente. À primeira vista, a placa parecia autêntica: as marcações no die traziam o código AD102-300-A1 — referência ao chip usado pela RTX 4090 — e outros sinais visuais que imitavam uma GPU legítima. Uma inspeção mais cuidadosa, porém, revelou inconsistências.
Ao tocar o núcleo do chip durante o reparo, o técnico notou uma textura lisa demais para ser silício. Testes subsequentes confirmaram que se tratava de plástico puro sem circuitos internos. Além do die falso, os módulos de memória GDDR6X presentes na placa estavam apenas para preencher o espaço: visualmente parecem reais, mas não cumpriam função nenhuma.
Sinais que mostraram a falsificação
- Textura e peso do die incompatíveis com silício;
- Marcações erradas ou anacrônicas — no caso havia gravação indicando fabricação em “2030” — e ausência de QR code típico de autenticidade;
- Memórias presentes sem funcionar nos testes básicos de inicialização e benchmark;
- Placa foi vendida a preço muito abaixo do mercado para um componente de ponta.
Por que este golpe é um avanço perigoso
Fraudes com placas de vídeo já envolviam, anteriormente, a troca de dies reais por outros de gerações distintas (por exemplo, reaproveitar die de 3080/3090 para simular uma 4090). O uso de plástico para imitar o die representa uma evolução porque torna a falsificação mais barata, difícil de perceber à primeira vista e mais fácil de circular no mercado de usados sem detecção imediata.
Como se proteger ao comprar uma placa de vídeo usada
- Peça vídeos em que o vendedor liga a placa no sistema e roda benchmarks/benchmarks sintéticos (3DMark, Unigine, jogos conhecidos);
- Verifique número de série e registros de garantia no site do fabricante quando possível;
- Examine visualmente o die e as marcações: QR codes ausentes, datas estranhas ou gravações desalinhadas são sinais de alerta;
- Prefira vendedores com histórico confiável, garantia ou possibilidade de devolução; desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- Se for comprar localmente, peça para testar a placa em um PC com CPU compatível e verificar consumo, temperaturas e desempenho real;
- Em caso de suspeita, leve a peça a um técnico experiente antes de concluir a compra.
No caso reportado, o prejuízo foi evitado porque a placa foi adquirida pelo lojista para reparo e conteúdo educativo, não por um consumidor final. A história funciona como um alerta: o mercado de hardware usado, especialmente em regiões onde placas recicladas e componentes recondicionados circulam livremente, pode esconder golpes sofisticados. Especialistas recomendam cautela e testes práticos antes de qualquer compra.
O caso foi divulgado por veículos de tecnologia após a postagem do lojista e tem sido citado como exemplo da criatividade crescente de golpistas no comércio de componentes eletrônicos. Compradores interessados em GPUs de alto valor devem redobrar a atenção e priorizar fontes confiáveis.
