Zerospace pode ser o sucessor de StarCraft II? Demo do Steam Next Fest mostra Guerra Galáctica, sistema de mercenários e acesso antecipado em 20 de julho
Com demo focada em PVE e um metajogo estilo “Guerra Galáctica”, título da Ironward e Starlance Studios combina conteúdo robusto com falhas técnicas — e chega em acesso antecipado em 20 de julho
Durante o Steam Next Fest de junho de 2026, Ironward e Starlance Studios liberaram uma nova demo de Zerospace, o RTS que muitos olham como possível sucessor de StarCraft II. O jogo, com lançamento em acesso antecipado marcado para 20 de julho, chama atenção por envolver membros da comunidade de StarCraft II no desenvolvimento e por priorizar um metajogo cooperativo batizado de Guerra Galáctica.
O que trouxe a demo e por que ela empolgou
A demonstração revelou um pacote considerável: três missões da campanha, tutoriais, mapas de escaramuça para 1×1 e 2×2, a Guerra Galáctica com oito mapas cooperativos e ainda dois mapas especiais — um modo PVEVP para quatro jogadores (cada um enfrenta uma IA e depois entra num free-for-all) e um mapa cooperativo de sobrevivência contra hordas.
Embora a versão mostrada tenha sido mais focada no PVE, o estúdio já tinha divulgado uma demo anterior voltada ao PVP. A novidade aqui é que a Guerra Galáctica aparece como centro da experiência pós-lançamento: vitórias geram pontos que podem ser investidos no mapa, gerando bônus para as missões, numa proposta que remete tanto ao cooperativo de StarCraft II quanto à sensação estratégica de jogos como Helldivers II.
Sistema de facções e mercenários: profundidade tática
Um dos diferenciais de Zerospace é a combinação entre facção e um grupo de mercenários escolhidos pelo jogador. Cada mercenário traz unidades e habilidades que complementam ou cobrem fraquezas da facção, e há um sistema de evolução durante a partida que libera habilidades ativas e passivas. Na demo havia três facções e cinco grupos de mercenários — desenvolvedores já anunciaram mais conteúdo, incluindo uma facção adicional e dois mercenários antes do lançamento.
Com aproximadamente 13 unidades por facção e cinco por mercenário, o jogo acumula cerca de 65 unidades (sem contar heróis), multiplicando as combinações estratégicas. Essa abordagem amplia a variedade tática, embora complique o balanceamento do PVP e possa exigir esforço contínuo dos desenvolvedores para manter partidas justas e variadas.
Macro simplificada e interface unificada
Zerospace adota um painel unificado para construções e produção — uma interface que padroniza atalhos entre facções e facilita o macro. Há fila de produção, exibição de todas as habilidades de unidades ao selecionar tropas e um layout pensado para reduzir a curva de memória de comandos entre diferentes facções. Para jogadores acostumados com atalhos de outros títulos, a adaptação pode pedir algum tempo, mas a solução melhora a acessibilidade e ajuda quem prefere se concentrar em tática e posicionamento.
Bugs, limitações no cooperativo e preocupações finais
A demo também mostrou problemas técnicos: unidades presas, IA que “desligou”, elementos flutuando, menus com falhas e localização inconsistente — a ponto do avaliador trocar o jogo para inglês. Apesar dos bugs, a experiência foi divertida a ponto de considerar uma compra mesmo por preço baixo.
Uma limitação apontada é que, no cooperativo da Guerra Galáctica, os mercenários não estavam disponíveis como facções jogáveis na maioria dos casos; os inimigos, porém, podiam utilizá-los. Isso restringe o leque de unidades disponíveis para o jogador e reduz a diversidade tática do cooperativo, que é justamente um dos pontos fortes do modo escaramuça. Os desenvolvedores prometem conteúdo adicional — múltiplas finais de campanha, sistema de guildas e temporadas para a Guerra Galáctica —, mas resta a dúvida se as mecânicas centrais serão integradas entre modos.
Outras preocupações incluem a necessidade de distinguir mais claramente a experiência de cada novo comandante e a carência de unidades aéreas no momento. Há dois riscos principais no horizonte: não entregar a quantidade de facções prometida para o cooperativo ou entregar várias variações repetitivas que reduzam o impacto do número bruto de facções.
O preço final também não foi divulgado, o que dificulta avaliar custo-benefício. Ainda assim, a demo demonstra potencial real. Se os desenvolvedores corrigirem bugs, integrarem mercenários ao cooperativo e cumprirem o roteiro de conteúdo, Zerospace pode chegar ao lançamento com uma oferta comparável à de grandes RTS modernos — e, talvez, recolocar a comunidade de estratégia em um debate sobre um verdadeiro sucessor de StarCraft II.
Próximos passos: acesso antecipado em 20 de julho; missão dos estúdios será equilibrar PVP, ampliar a presença dos mercenários no cooperativo e polir a estabilidade técnica antes do lançamento amplo.
