Monster Fantasy une Monster Hunter e Animal Crossing: caça bestas gigantes, construa uma vila e participe do beta em breve
Ação-RPG da chinesa Jotoyo mistura combates robustos e elementos de simulação social — demo mostrou classes versáteis, monstros impressionantes e promessas de personalização e coop para até quatro jogadores
Em um evento recente da BiliBili em Xangai, a promessa de um híbrido entre a adrenalina de Monster Hunter e o sossego de Animal Crossing ficou em evidência. Monster Fantasy, desenvolvido pela Jotoyo, apresentou uma versão muito inicial que deixa claras as intenções: oferecer liberdade para jogar como caçador de feras imponentes ou aproveitar a vida tranquila de vila, colecionando insetos, pescando e cultivando relacionamentos.
Estética e o reino de Eldoras
O jogo aposta em um contraste visual marcante. Personagens em estilo chibi convivem com biomas detalhados e realistas — colinas, planícies desérticas e áreas vulcânicas verticais compõem o reino de Eldoras. Esses ambientes são acessados por cristais de teleporte espalhados pela vila principal. Na build testada, muitos destinos ainda estavam bloqueados, restringindo a exploração a uma região de floresta repleta de cavernas e riachos.
O retorno à vila também muda o clima sonoro: o metal presente nas lutas dá lugar a flautas e violões, com efeitos suaves de fauna que reforçam a atmosfera acolhedora da parte de simulação social.
Classes e combate: entre guarda, esquiva e magias
Monster Fantasy oferece quatro classes principais — guerreiro, espadachim, arqueiro e mago — com a possibilidade de a quinta classe aparecer antes do lançamento. A troca entre elas é fluida: basta equipar a arma correspondente para alternar movesets, e o inventário não pausa a ação, o que exige cuidado ao mudar de estratégia em combate.
O guerreiro é indicado para iniciantes: usa escudo para bloquear e permite executar guardas perfeitas, concedendo invulnerabilidade temporária para desferir combos. O espadachim prioriza esquivas e velocidade; cada esquiva perfeita cria um doppelgänger que pode ser acionado para um ataque sincronizado em grupo. O arqueiro atua à distância com flechas que podem guiar-se ao alvo. Já o mago se destaca pela mobilidade — segura-se um gatilho para pairar — e por combinações elementais que variam entre ataques ofensivos e magias defensivas, como paredes cristalinas que absorvem golpes. Misturas de fogo, água, terra e vento permitem disparos contínuos que desgastam gradualmente a vida dos oponentes.
Monstros, captura e recompensa
A versão preview trazia apenas três chefes: um esquilo do tamanho de um urso, um besouro-rinoceronte com placas de armadura e uma enorme grifo que atacava no chão e no ar. O combate varia: o esquilo tinha ataques telegráficos fáceis de prever, enquanto o besouro e o grifo resultaram em confrontos longos e satisfatórios — destruindo placas de armadura do besouro para atingir a carne exposta foi um destaque tático.
No jogo completo, são prometidos mais de 50 tipos de monstros. Além de derrotá-los, será possível capturá-los para usá-los como montarias. Os corpos das feras também fornecem ingredientes raros para forja; a criação de armas e armaduras passa por minijogos de tempo, do tipo quicktime, no sistema de forja.
Vila, personalização e escolhas de vida
De volta à segurança da aldeia, os jogadores encontram casas, moinhos, bancas, um quadro de missões, plantações e uma taverna. A demo tinha interatividade limitada, mas os desenvolvedores afirmam que, na versão final, será possível personalizar completamente o layout da vila e expandi‑la coletando recursos.
Cada aldeão deve ter personalidade e hobbies próprios; a equipe considera até incluir romance entre personagens — uma opção para quem preferir a vida social à caça de dragões. Caso o jogador opte por não enfrentar monstros pessoalmente, é possível delegar caçadas a NPCs mais preparados ou recrutá‑los como aliados. Há risco nessa escolha: personagens enviados para caçar podem não retornar, o que adiciona peso emocional às decisões de gestão da vila.
O título também suporta modo cooperativo para até quatro jogadores, permitindo que amigos se unam para derrubar criaturas maiores ou explorar juntos.
Beta, tradução e expectativa de lançamento
Monster Fantasy ainda não tem data oficial de lançamento, mas a Jotoyo projeta que o jogo não deva chegar antes de meados de 2027, dado o estágio inicial apresentado. Em contrapartida, a desenvolvedora anunciou um beta público para PC nas próximas semanas, com tradução completa para o inglês e um tutorial abrangente que não estava disponível na build do evento. A intenção declarada é recolher feedback da comunidade para moldar desde mecânicas até a escolha do monstro da capa.
Durante a prévia, a interação com o conteúdo estava em chinês, e parte das explicações dependiam de tradução improvisada. Ainda assim, a proposta de confiar na comunidade para iterar sobre o design e a experiência — e de fomentar uma base de jogadores engajada — ficou clara.
Para quem gosta de ação tática, Monster Fantasy oferece confrontos com sensação de peso e estratégia. Para jogadores que preferem ritmo mais calmo, há um sistema de vila com potencial de personalização e vínculos com NPCs. O resultado pode ser um híbrido atraente para públicos que não teriam se encontrado sem esse encontro entre caça épica e vida comunitária.
Tristan Ogilvie, produtor sênior de vídeo da IGN em Sydney, participou do BiliBili Game First Look como convidado dos organizadores e foi a fonte principal desta prévia.
Com essas bases, Monster Fantasy surge como um título a ser acompanhado: se conseguir balancear a intensidade dos combates com a leveza da vida na aldeia, pode surpreender tanto caçadores quanto fãs de jogos de convivência.
