Imagens da ESA e da NASA, junto a observações amadoras, confirmam atividade do objeto interestelar que já segue de saída do sistema solar
A sonda Juice, da Agência Espacial Europeia, e o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, voltaram os olhos para o cometa interestelar 3I/ATLAS nas últimas semanas e entregaram imagens que ajudam a compreender a dinâmica e a composição desse visitante vindo de fora do nosso sistema. As observações combinadas mostram uma coma evidente e indícios simultâneos de cauda de plasma e de poeira, além da persistência de uma anti-cauda que chama atenção dos pesquisadores.
O que a sonda Juice registrou
A ESA divulgou uma prévia feita pela câmera de navegação da Juice com imagens obtidas em novembro de 2025. As fotos mostram o cometa em um estado mais ativo, compatível com o período logo após sua máxima aproximação ao Sol. Nelas, é possível distinguir a coma — a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo — e estruturas alongadas que sugerem formação de caudas distintas: uma carregada por plasma e outra por partículas sólidas.
Revisita do Hubble e acompanhamento contínuo
O Telescópio Espacial Hubble reobservou o 3I/ATLAS em 30 de novembro, em campanha descrita pela NASA como parte do monitoramento do objeto enquanto ele se afasta do Sol e segue rumo ao espaço interestelar novamente. As imagens de alta resolução do Hubble ajudam a rastrear alterações finas na coma e na cauda, essenciais para entender os processos de sublimação e interação com o vento solar.
Contribuição de observadores amadores
Astrônomos amadores como Gerald Rhemann e Michael Jäger também publicaram registros que complementam os dados das agências. Suas fotos destacam um padrão de torção na cauda e a presença de uma anti-cauda, um fenômeno observado quando partículas de poeira no plano orbital projetam uma falsa cauda voltada na direção oposta ao Sol. Esses detalhes ajudam a mapear a evolução temporal da atividade do cometa.
Por que essas observações importam
3I/ATLAS é um visitante interestelar, o que torna cada dado obtido raro e valioso para estudar a composição e o comportamento de corpos formados fora do nosso sistema. A combinação de imagens da Juice, do Hubble e de observadores em solo oferece múltiplas escalas de observação — desde a visão ampla da sonda até os detalhes finos do telescópio e dos registros amadores — permitindo avaliar a química, a atividade e a interação com o ambiente solar.
Fontes: ESA, NASA e registros de observadores amadores. Para quem acompanha o Space Today: o canal promove o evento Space Today Experience em Brasília, de 18 a 21 de dezembro, com debates e atrações gratuitas sobre astronomia.
