Campinas terá núcleo no CPQD para criar aplicativos públicos com IA e guardar dados sensíveis do GOV.BR

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Campinas terá núcleo no CPQD para criar aplicativos públicos com IA e guardar dados sensíveis do GOV.BR

Projeto Inspire terá espaço físico com GPUs para treinar modelos, desenvolver chatbots e processar 77 milhões de registros; ministério destaca avanço da “soberania tecnológica”

Foi lançada nesta sexta-feira a pedra fundamental do núcleo que irá desenvolver aplicativos de serviços públicos com uso de inteligência artificial em Campinas, dentro do CPQD. A apresentação, feita com a presença da ministra Dweck, marcou o início da criação da estrutura física que irá abrigar pesquisadores, equipamentos e dados de usuários hoje armazenados em nuvens internacionais.

Como será o núcleo e o que fará

O prédio que receberá o núcleo já existe, segundo o CPQD, e passará por reformas, adequações e implantação de novos equipamentos, incluindo unidades de processamento gráfico (GPUs). O ambiente funcionará de modo semelhante a um laboratório, com equipes desenvolvendo modelos de linguagem, ferramentas de IA generativa e realizando tratamentos de grandes volumes de dados para treinar algoritmos.

O objetivo é integrar essas soluções à plataforma GOV.BR, permitindo que o cidadão acesse serviços por meio de aplicativos que usam assistentes virtuais (chatbots), barras de pesquisa inteligentes e outros recursos de processamento de informações. Segundo a ministra Dweck, a expectativa é oferecer um atendimento mais personalizado e proativo, com impacto na produtividade do setor público.

“A gente vai ter um governo que vai chegar à população de forma personalizada, vai chegar de forma proativa, vai poder interagir com as pessoas, falar muito mais rápido. Vai aumentar a produtividade do setor público em números inimagináveis. É o início de uma transformação gigantesca para a nossa população”, afirmou Dweck durante o evento.

Chatbots e serviços já em operação

O núcleo irá se integrar ao projeto Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética). Mesmo antes da conclusão física da estrutura, o Inspire já executa iniciativas em produção: em sete meses, implantou três chatbots em serviços do governo federal.

  • Chatbot de Atendimento GOV.BR: projetado para tirar dúvidas e dar suporte ao usuário por um canal inteligente. Em testes, chegou a cerca de 2 mil atendimentos digitais por dia, com foco em recuperação de conta, autenticação em dois fatores, reconhecimento facial e uso do aplicativo.
  • Chatbot SISU/Jornada do Ensino Médio: lançado em janeiro de 2026 para orientar estudantes sobre SISU, Enem, Prouni e FIES; atende potencial de 4,2 milhões de inscritos no Enem.
  • Chatbot Vacinação/Farmácia Popular: fornece informações sobre campanhas de vacinação do SUS, Farmácia Popular e serviços do Ministério da Saúde.

Além dos chatbots, o projeto criou infraestrutura para processar e qualificar 77 milhões de registros de endereços no país, corrigindo duplicações e inconsistências e permitindo que órgãos públicos compartilhem um cadastro de endereços mais confiável. “Ter o endereço correto das pessoas, disponível para todos os órgãos do governo, é essencial para políticas públicas que dependem desse dado para o pagamento de determinados benefícios”, disse Paulo Curado, diretor responsável pelo Inspire no CPQD.

Dados, soberania digital e riscos

Uma das motivações centrais do núcleo é a repatriação de dados: atualmente, muitos cadastros e informações sensíveis de usuários estão hospedados em nuvens estrangeiras. Com a infraestrutura em Campinas, as bases seriam guardadas e processadas no Brasil, parte do que a ministra chamou de processo de “soberania tecnológica”.

“A gente fala que a soberania digital tem três níveis. A de dados, a gente já vinha trabalhando nisso, de repatriar os dados brasileiros, de poder saber onde os nossos dados estratégicos estão… E tem um terceiro que é tecnológico. Essa é a mais difícil. E aqui, esse é um projeto de soberania tecnológica, digital tecnológica”, declarou Dweck.

Especialistas costumam apontar que, além das vantagens de controle e segurança, a centralização de dados sensíveis exige governança robusta, protocolos de privacidade e mecanismos para evitar vazamentos e usos indevidos. O CPQD informou que a nova estrutura seguirá regras de segurança e terá equipes dedicadas ao tratamento e à proteção das informações.

Próximos passos

O núcleo começará com a reforma do prédio e a instalação de infraestrutura computacional adequada. A intenção é que os trabalhos ampliem a capacidade de desenvolvimento do setor público, com cerca de 350 pesquisadores atuando em soluções para governos, segundo o CPQD. O projeto deve começar no âmbito federal e, conforme Dweck, se espalhar para outras esferas do setor público brasileiro.

O avanço será acompanhado pela implementação prática das ferramentas no GOV.BR e pela expansão das bases tratadas localmente, passo considerado estratégico para melhorar o atendimento ao cidadão e fortalecer a autonomia tecnológica do país.

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