Doom rodando em hardware de impressora dos anos 80: como um Agfa Compugraphic 9000PS foi adaptado para executar o clássico

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Doom rodando em hardware de impressora dos anos 80: como um Agfa Compugraphic 9000PS foi adaptado para executar o clássico

Projeto transforma controlador de pré-impressão em plataforma retrô capaz de carregar jogos — com limitações

Um criador de conteúdo especializado em restaurações e experimentos com eletrônicos antigos conseguiu executar a versão shareware de Doom em um controlador de impressão Agfa Compugraphic 9000PS fabricado há cerca de 40 anos. O feito, documentado no canal Adrian’s Digital Basement e repercutido pelo Tom’s Hardware, chamou atenção pela compatibilidade inesperada entre o hardware de pré-impressão e software de entretenimento.

Hardware e arquitetura do RIP

A Agfa Compugraphic 9000PS é um Processador de Imagem Raster (RIP) projetado para receber arquivos PostScript, rasterizar vetores e enviar imagens de alta resolução para as máquinas de gravação de chapas. Por exigir poder de cálculo para vetorização e rasterização, o equipamento trazia uma placa-mãe com processador Motorola 68020 rodando a 16 MHz. Além disso, a placa controladora de entrada e saída possui sua própria CPU 68000.

Engenharia reversa e substituição do firmware

Para reaproveitar o RIP, o responsável pelo projeto realizou engenharia reversa do conteúdo da memória ROM. O firmware Adobe PostScript original foi removido e substituído por um monitor personalizado baseado no AGFA-MON, código que está disponível publicamente no GitHub. Esse novo firmware criou opções de boot para diferentes sistemas, adicionando inclusive um interpretador BASIC que permite programar diretamente no hardware antes ocupado exclusivamente por tarefas gráficas industriais.

Adaptações físicas para vídeo e áudio

Como o equipamento não tinha saída de vídeo para um monitor convencional, foi instalada uma placa de vídeo VERA de 8 bits, bastante usada em projetos de computação caseira. Também foram adicionadas saídas de áudio. Com essas alterações, o RIP pôde exibir imagens externas e permitir a interação visual necessária para rodar sistemas operacionais.

Execução do Doom e principais limitações

Após carregar programas do CP/M e, posteriormente, o Minix (uma variante do Unix), o criador conseguiu iniciar a versão shareware de Doom 1.9 sobre o ambiente Minix. O processador 68020 — o mesmo presente em computadores clássicos como o Amiga 1200 — forneceu capacidade de execução, mas com desempenho bastante limitado: a taxa de quadros ficou baixa, comprometendo a fluidez.

Além da lentidão na renderização, outra limitação prática foi a ausência de suporte a teclados no padrão PS/2, o que dificultou o controle do personagem e tornou o jogo, na prática, pouco jogável. Ainda assim, o resultado é considerado um marco técnico: transformar um equipamento industrial obsoleto em uma plataforma de experimentação retrô.

O experimento mostra como equipamentos especializados podem ter arquitetura suficientemente genérica para aceitar adaptações criativas — mesmo que a jogabilidade não se compare a um PC moderno. A iniciativa também destaca o valor da abertura de código e do trabalho de preservação: sem acesso ao AGFA-MON e à documentação, o trabalho de customização seria muito mais difícil.

Fonte: Adrian’s Digital Basement / Tom’s Hardware.

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