Elon Musk admite que xAI usou tecnologia do ChatGPT para treinar o Grok durante processo contra a OpenAI
No tribunal da Califórnia, Musk confirmou uso parcial de modelos da OpenAI em técnica de ‘destilação’ e segue disputa bilionária com Sam Altman e Microsoft
Elon Musk reconheceu em depoimento na quinta-feira, 30 de abril de 2026, que sua empresa de inteligência artificial, a xAI, usou em parte tecnologia desenvolvida pela OpenAI — responsável pelo ChatGPT — para aprimorar seu próprio sistema, o Grok. A admissão ocorreu em um tribunal federal em Oakland, na Califórnia, onde Musk processa a OpenAI desde 2024.
O que Musk disse no tribunal
Ao ser questionado sobre o que é a técnica conhecida como destilação de modelos — processo em que um modelo maior de IA é usado para treinar um modelo menor — Musk demonstrou conhecimento técnico e, depois de certa hesitação, confirmou que a xAI havia recorrido a modelos da OpenAI em parte do treinamento. Primeiro ele afirmou que “geralmente todas as empresas de IA fazem isso” e, pressionado, declarou: ‘Em parte, [usou modelos de IA da OpenAI]’.
O bilionário também defendeu a prática como comum na indústria, dizendo que é uma forma de validar e aperfeiçoar sistemas: ‘É prática comum usar outras IAs para validar sua IA’. O depoimento faz parte do julgamento que confronta Musk com Sam Altman, CEO da OpenAI, e envolve críticas à mudança de estrutura da organização que originou o ChatGPT.
O cerne da disputa judicial
Musk, um dos cofundadores originais da OpenAI, acusa a organização de abandonar sua missão original sem fins lucrativos para se tornar uma ‘máquina de riqueza’. No processo, aberto em 2024, ele pede US$ 150 bilhões em danos da OpenAI e da Microsoft — valor que, segundo fontes ligadas ao caso, seria destinado ao braço filantrópico da OpenAI.
Além da compensação financeira, Musk quer que a OpenAI retorne a uma estrutura estritamente sem fins lucrativos e que Sam Altman e Greg Brockman sejam removidos das funções executivas. O empresário afirma ter sido mantido no escuro sobre a mudança da estrutura societária ocorrida em 2019 e diz que seu nome e apoio financeiro foram usados para atrair investidores. Entre 2016 e 2020, Musk investiu cerca de US$ 38 milhões na empresa.
Defesa da OpenAI e do processo
A OpenAI e a Microsoft refutam as alegações. Os advogados da OpenAI sustentam que o processo de Musk é motivado por desejo de controle e por interesses de sua própria empresa, a xAI, criada em 2023. A Microsoft, também ré no caso, nega qualquer conspiração e afirma que a parceria com a OpenAI ocorreu após a saída de Musk do conselho.
Em comunicado intitulado ‘A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI’, a empresa afirmou que as ações do bilionário são impulsionadas por ‘ciúmes’ e ‘arrependimento por ter abandonado a OpenAI’, além de um objetivo de atrapalhar uma concorrente. A OpenAI disse ainda que Musk vem promovendo ataques públicos e ações legais infundadas contra a organização.
Contexto histórico e impacto no setor
Documentos internos apresentados no processo traçam a evolução da OpenAI, fundada como um laboratório de pesquisa que acabou atraindo investimentos e talento de alto nível. Sam Altman chegou a descrever a iniciativa como o ‘Projeto Manhattan da IA’ ao buscar apoio de investidores, e o apoio inicial de Musk ajudou a atrair cientistas.
As tensões, no entanto, surgiram anos depois: Musk deixou o conselho em 2018 e, em 2019, a empresa se reestruturou para aceitar investimentos externos. O lançamento do ChatGPT em 2022 consolidou o avanço da OpenAI e a colocou no centro de uma corrida tecnológica. Hoje, a empresa é avaliada em mais de US$ 850 bilhões e prepara uma possível abertura de capital que poderia levar sua avaliação a cerca de US$ 1 trilhão.
Do outro lado, a xAI tenta reduzir a distância tecnológica em relação ao ChatGPT, enquanto a SpaceX, outra companhia de Musk, também considera abertura de capital. O julgamento aproxima ainda mais duas figuras centrais do setor — Musk e Sam Altman — em um embate que mistura disputas sobre governança, propriedade intelectual, estratégia empresarial e ambições pessoais.
O caso segue em andamento e continua a atrair atenção por expor detalhes internos sobre decisões que marcaram a transformação da OpenAI e por potencialmente influenciar os rumos de uma indústria que já movimenta bilhões e debates sobre ética e regulamentação.
