Engenheiro instala drive de disquete 3,5 polegadas em Tesla e faz carro rodar arquivo MP3 antigo

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Engenheiro instala drive de disquete 3,5 polegadas em Tesla e faz carro rodar arquivo MP3 antigo

Experimento documentado mostra leitor USB‑FDD reconhecido pelo sistema do carro e reproduz o em clássico, com ruído da cabeça magnética durante a leitura

A experiência

Um engenheiro eletrônico e desenvolvedor de software ucraniano conhecido como Oleg Kutkov publicou nas redes sociais um vídeo mostrando um drive de disquete de 3,5 polegadas conectado a um Tesla. O drive foi ligado à porta USB localizada no porta‑luvas, por meio de um conversor de interface USB para unidade de disquete (FDD). No vídeo, o sistema do carro reconhece o dispositivo como armazenamento externo e reproduz um arquivo MP3 — a música Never Gonna Give You Up, de Rick Astley — armazenada em um disquete de 1,44 MB.

O playback não foi instantâneo: há um tempo perceptível de carregamento e o áudio inclui o ruído característico da cabeça magnética percorrendo a superfície do disco enquanto os dados são lidos. Kutkov observou que o kernel Linux usado no sistema do Tesla ainda mantém suporte ao subsistema de disquetes, e que um script do carro monta automaticamente qualquer disco detectado como fonte externa para Sentry, dashcam e mídia.

Como isso funcionou tecnicamente

O truque depende de dois pontos principais: compatibilidade de hardware por meio de um conversor USB→FDD e suporte de software no sistema do carro. Mesmo que o formato seja antigo, o kernel Linux continua a oferecer drivers para drives de disquete e o Tesla, que roda uma base Linux, tem rotinas que montam unidades externas conectadas às portas USB.

Na prática, o conversor expõe o drive de disquete ao sistema como um dispositivo de armazenamento compatível, o sistema monta o conteúdo e o leitor de mídia do carro consegue acessar o arquivo MP3. A lentidão e o ruído são consequências físicas do acesso magnético à mídia, muito diferente do comportamento de discos óticos ou unidades flash modernas.

Por que disquetes ainda aparecem em sistemas reais

Embora amplamente superados por CDs, pen drives e armazenamento em estado sólido, os disquetes sobreviveram em nichos por questões de custo, compatibilidade e requisitos legais. A Sony lançou o disquete de 3,5 polegadas em 1981; o formato dominou os anos 1990 e caiu em desuso diante de mídias com capacidade muito maior. Ainda assim, órgãos e equipamentos legados mantêm suporte por longos períodos.

  • A Administração Federal de Aviação dos EUA iniciou a substituição de disquetes em sistemas antigos que rodavam até Windows 95.
  • Em 2024, o governo do Japão revisou regras para remover exigências legais que mencionavam armazenamento magnético.
  • A cidade de São Francisco reservou US$ 212 milhões para modernizar o controle de trens e eliminar disquetes de 5,25 polegadas até 2034.
  • A Marinha da Alemanha estuda a substituição de drives de 8 polegadas em fragatas da classe F123.
  • O sistema prisional de Nova Jersey permite que detentos tenham até 20 disquetes de 3,5 polegadas, criando um limite técnico de armazenamento usado para documentos judiciais.

Além disso, a comunidade de entusiastas de hardware antigo e empresas especializadas ainda comercializam mídia virgem e drives, e o núcleo do Linux recebeu recentemente atualizações que prolongaram compatibilidade com drives de disquete.

O que a façanha revela sobre tecnologia e nostalgia

O experimento mistura dois extremos: um carro elétrico moderno com software derivado de Linux e uma mídia física quase centenária em termos tecnológicos. A combinação ressalta como sistemas complexos frequentemente integram camadas de tecnologia legada que, embora arcaicas, ainda podem ser úteis ou exploradas por curiosos e pesquisadores.

Mais do que um truque divertido, o caso chama atenção para debates práticos sobre modernização de infraestrutura, segurança e dependência de formatos antigos em setores críticos. Para o público em geral, também funciona como um lembrete curioso de que ícones da interface digital — como o símbolo de salvar representado por um disquete — têm origem em objetos reais que, às vezes, ainda funcionam.

Fontes: postagem do autor no X e cobertura especializada sobre o experimento.

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