Governo australiano exige que Roblox, Microsoft (Minecraft), Epic (Fortnite) e Valve (Steam) expliquem como impedem grooming e radicalização de crianças
eSafety ordena respostas obrigatórias, citando casos de jogos com narrativa extremista e risco de aliciamento; multas podem chegar a AUD$825.000 por dia
O escritório independente de eSafety da Austrália emitiu avisos de transparência legalmente obrigatórios a quatro grandes empresas de jogos e distribuição digital — Roblox, Microsoft (dona do Minecraft), Epic Games (Fortnite) e Valve (Steam) — solicitando detalhes sobre como suas plataformas evitam o grooming de menores e a disseminação de ideologias extremistas.
Criado em 2015 para combater cyberbullying e a distribuição de material de abuso sexual infantil, o órgão ampliou seu mandato para proteger todos os australianos contra um leque maior de riscos online. Agora, diante de preocupações contínuas sobre ambientes de jogos online, a eSafety exige que as companhias descrevam medidas técnicas e políticas adotadas para reduzir esses perigos.
Riscos apontados pela eSafety
A eSafety argumenta que ambientes de jogos funcionam não apenas como espaços de entretenimento, mas também como locais de socialização amplamente usados por crianças. Segundo a comissária Julie Inman Grant, “o que muitas vezes vemos é que, depois que esses ofensores fazem contato com crianças em ambientes de jogos online, eles então movem as crianças para serviços de mensagens privados”. A pesquisa do órgão apontou que cerca de 9 em cada 10 crianças australianas entre 8 e 17 anos já jogaram online.
Em declaração pública, Inman Grant citou reportagens sobre conteúdo problemático nessas plataformas, como jogos inspirados pelo Estado Islâmico e recriações de massacres em Roblox; a presença de grupos de extrema-direita e imagens fascistas em Minecraft; versões de Fortnite que reproduzem campos de concentração da Segunda Guerra ou episódios como a invasão do Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021; e relatos de que Steam seria um ponto de encontro para comunidades de extrema-direita.
Obrigatoriedade e sanções
Os avisos de transparência expedidos pela eSafety exigem resposta obrigatória: o não cumprimento pode acarretar penalidades de até AUD$825.000 por dia. O objetivo é obter informações claras sobre moderação, detecção automática, políticas de denúncia, limites de comunicação entre usuários e cooperação com autoridades.
Resposta da Roblox e posição das empresas
Em resposta ao pedido, Roblox disse ao IGN que recebe o contato do órgão e destacou políticas que proíbem conteúdo e comportamentos que promovam ou glorifiquem organizações extremistas. A empresa afirmou que removeu conteúdo problemático quando identificado e aplica ações imediatas em contas, além de usar “tecnologia avançada de IA” para revisar imagens, textos e itens de avatar antes da publicação.
A Roblox também anunciou a introdução — em breve — de contas baseadas na idade para menores de 16 anos, com configuração de acesso a conteúdo, controles de comunicação e ferramentas parentais mais alinhadas à faixa etária. A empresa afirmou que trabalha regularmente com forças de segurança, organizações da sociedade civil e especialistas em prevenção à violência extremista.
O que vem a seguir
A eSafety agora aguarda respostas formais das quatro empresas; dependendo das informações apresentadas, poderá exigir mudanças, aplicar multas ou encaminhar recomendações regulatórias. Para pais e responsáveis, a situação reforça a importância de usar controles parentais, acompanhar a atividade das crianças em jogos e denunciar conteúdos ou contatos suspeitos nas próprias plataformas.
O caso coloca novamente em destaque o desafio de equilibrar espaços digitais amplamente usados por jovens com a necessidade de proteção contra aliciamento e radicalização — e pressiona grandes plataformas de jogos a detalhar, de forma transparente e verificável, como atendem essa responsabilidade.
