Hospital de Milão testa Alter-Ego: robô humanoide que conversa com pacientes, registra dor e alivia tarefas de equipes de saúde
Humanoide de 1,2 m interage com pacientes com ELA, envia dados à enfermagem e passará de controle remoto para operação autônoma a partir de julho
Um robô humanoide chamado Alter-Ego está sendo testado no hospital Maugeri, em Milão, com a proposta de conversar com pacientes, monitorar sintomas básicos e executar tarefas simples para reduzir a carga de trabalho das equipes de saúde. O protótipo de 1,2 metro foi desenvolvido em parceria entre o Instituto Italiano de Tecnologia e a Universidade de Pisa.
Como o Alter-Ego funciona
No formato atual, o robô é controlado por um operador remoto, mas a previsão é que passe a operar de forma autônoma a partir de julho. Entre suas funções estão conversar com pacientes, registrar o nível de dor exibindo uma escala em uma tela no peito, levar objetos como uma garrafa de água e acompanhar pacientes até salas de tratamento. As informações recolhidas são imediatamente encaminhadas à equipe de enfermagem do setor.
Em interações registradas no hospital, o robô cumprimenta pacientes e faz perguntas simples. Um paciente que usa cadeira de rodas interage com o Alter-Ego por meio da tela e ouve saudações como ‘Olá, Dani. Como você está? Precisa de alguma coisa?’. Segundo os pesquisadores, a linguagem e o design foram pensados para despertar curiosidade e gerar conforto no ambiente clínico.
Testes com pacientes com ELA
O ensaio clínico começou em abril no departamento especializado no atendimento de pessoas com esclerose lateral amiotrófica, doença neurodegenerativa que exige monitoramento contínuo. Christian Lunetta, diretor do departamento de reabilitação neuromotora do Maugeri, contou que havia receio inicial sobre a reação dos pacientes, mas que eles ficaram bastante satisfeitos com o robô.
Para a equipe, o Alter-Ego pode assumir tarefas repetitivas que ocupam tempo dos profissionais, liberando-os para atividades que valorizem mais a relação humana com os pacientes. Manuel Catalano, do Instituto Italiano de Tecnologia, afirmou que o objetivo do experimento é definir os limites do que um robô pode ou deve fazer em um hospital.
Limites, segurança e preocupações
Embora reconheçam a utilidade do humanoide, os médicos afirmam que não há intenção de delegar a ele atividades críticas, como a administração de medicamentos. A neurologista Rachele Piras destacou que, apesar da capacidade aparente, o robô não substituirá decisões clínicas e continuará sob supervisão humana durante a fase de testes.
Outro ponto observado é que pacientes às vezes se sentem mais à vontade para pedir algo a um robô do que a um cuidador, o que pode reduzir contatos diretos e aliviar demandas operacionais. Ainda assim, especialistas defendem testes prolongados para avaliar segurança, confiabilidade e aceitação sociocultural.
Possíveis usos futuros
Além do uso hospitalar, os desenvolvedores planejam adaptar o Alter-Ego para auxiliar pacientes e cuidadores em residências, levando automonitoramento e companhia em ambientes domiciliares. A evolução para autonomia total dependerá de mais treinamento em inteligência artificial e de avaliações sobre riscos e benefícios em cenários reais de cuidado.
O experimento em Milão é um exemplo da atenção crescente à integração entre robótica e saúde, que busca reduzir tarefas repetitivas, melhorar a coleta de dados e, ao mesmo tempo, preservar o papel central dos profissionais de saúde nas decisões clínicas e no vínculo com o paciente.
