Ironhive: jogo de cartas e gerenciador de cidades da Wondernaut tenta reconstruir um mundo pós-apocalíptico — demo já está na Steam
Impressões da demo testada na Gamescom Latam 2026 mostram um híbrido estratégico que mistura deck-building, gestão territorial e uma arte atmosférica singular
Testado durante a Gamescom Latam 2026, em São Paulo, Ironhive é a nova aposta do estúdio brasileiro Wondernaut Studio. Desenvolvido pelos mesmos criadores de Aspire: Ina’s Tale, o projeto troca as cores vibrantes do antecessor por uma estética escura e melancólica, oferecendo uma experiência que junta elementos de gerenciador de cidades e deck-building.
Origem e proposta
O conceito de Ironhive nasceu quase por acaso em uma Game Jam no BIG Festival de 2022. Segundo Bruno Klipel, diretor de tecnologia do estúdio, o protótipo agradou na competição e motivou a equipe a transformar a ideia em um jogo completo. A proposta central é simples, mas ambiciosa: comandar uma ‘colmeia de ferro’ onde todas as ações, desde construir até recrutar e atuar politicamente, são determinadas por cartas.
Como funciona o gameplay
Diferente de jogos de gerenciamento tradicionais, Ironhive dispensa menus convencionais e usa as cartas da mão como motor de decisões. Cartas representam recursos, soldados, edifícios e até ações políticas. Posicionar unidades e estruturas em pontos específicos do mapa é essencial — a ocupação espacial lembra jogos de tabuleiro modernos, em que o encaixe e o empilhamento de peças restringem e orientam a expansão.
Soldados, por exemplo, não servem apenas para combate: podem ser alocados em pontos de extração para aumentar receita, enquanto construções precisam ser geridas em uma área limitada, obrigando o jogador a planejar cada centímetro da cidade. Além disso, há um componente de longo prazo: o sistema de legado faz com que decisões atuais afetem gerações futuras, incentivando planejamento e comparação com outras cidades.
Sobrevivência, progressão e narrativa
Gerenciar a colmeia envolve equilibrar ganhos de experiência para desbloquear tecnologias com a necessidade imediata de recursos para sobreviver ao passar do tempo. O jogo cobra ‘impostos’ periodicamente, e falhar em prover o necessário pode culminar no colapso da sociedade construída.
Missões principais e secundárias guiam o progresso, enquanto eventos aleatórios aprofundam a narrativa e oferecem pistas sobre o que levou o mundo ao estado apocalíptico. Essas intervenções dinâmicas ajudam a manter a imersão e forçam o jogador a adaptar estratégias a curto e longo prazo.
Arte, acessibilidade e lançamento
Visualmente, Ironhive se destaca: a direção de arte transmite uma sensação constante de história e decadência, com cenários que convidam a exploração. A Wondernaut também investe em tornar o jogo acessível: a curva de aprendizado está sendo trabalhada para que jogadores menos acostumados a estratégia hardcore possam aprender as regras e aproveitar partidas de cerca de uma hora.
Atualmente o jogo está em fase final de polimento. Não há data oficial de lançamento, mas a expectativa é que Ironhive chegue ao PC via Steam dentro de poucos meses. A equipe optou por priorizar o PC em razão da interface estratégica, que se beneficia do mouse, embora ports para consoles não sejam descartados.
Primeiras impressões são positivas: Ironhive é uma proposta ousada da cena brasileira que mistura gêneros com coerência e oferece um desafio tático apoiado por uma estética envolvente. A demo disponível na Steam é a melhor forma de conferir de perto esse híbrido entre jogo de cartas e gerenciador de cidades.
