Logitech cresce no Brasil e aposta no segmento de corrida: Direct Drive, RS50 e suporte local impulsionam presença e vendas
Marca amplia participação no mercado brasileiro, investe em produtos de alta performance para simulação e volta a participar de eventos presenciais
O mercado de games no Brasil tem puxado o crescimento de fabricantes de periféricos e a Logitech é um dos exemplos mais claros dessa onda. Segundo Ricardo Filó, Cluster Marketing Head para Brasil e México, o país responde por cerca de 40% do consumo da linha gamer em toda a América Latina — um peso que se traduz em prioridade no lançamento de produtos e em atenção do time de desenvolvimento.
Representação no Brasil cresce
Filó afirma que a Logitech teve crescimento de dois dígitos por vários anos consecutivos no Brasil. Como consequência, quase toda a gama de periféricos desenvolvidos pela matriz na Suíça já é trazida oficialmente ao país — a exceção citada é o portátil G Cloud, voltado para jogos em nuvem.
Além da disponibilidade, a empresa destaca o papel do feedback local. Opiniões de consumidores chegam via suporte, pesquisas oficiais e até mensagens em redes sociais; pro players também participam do processo. Um exemplo citado é a colaboração do jogador KSCERATO, da FURIA, no desenvolvimento do mouse X2 Superstrike. Outro diferencial competitivo apontado por Filó é a oferta de garantia e suporte técnico no Brasil, um fator valorizado frente a concorrentes que atuam somente por importação.
Segmento de corrida e Direct Drive: oportunidade e ampliação de linha
O setor de simuladores de corrida tem sido um dos principais alvos da estratégia local. Por não existir grande concorrência oficial no país, a Logitech conquistou fatia relevante do mercado. Até então, a oferta brasileira contava majoritariamente com volantes de entrada, como os modelos G29 e G923. A Identificação de demanda por níveis mais avançados levou a marca a investir em volantes com Direct Drive — tecnologia que entrega torque e precisão superiores.
A primeira incursão nesse segmento mais profissional foi com a linha G Pro (volante e pedais), e a família se expandiu com o lançamento do RS50, um volante intermediário com Direct Drive que permite trocar aros e integrar acessórios do ecossistema, como H Shifter e freio de mão. Filó ressalta que, por serem produtos de ticket mais alto (na faixa de R$ 6 mil a R$ 10 mil), é importante que lojas físicas parceiras disponham de unidades para teste, além da presença em eventos para que os consumidores experimentem os equipamentos antes da compra.
Para suportar a escalada no segmento, a Logitech planeja disponibilizar não apenas os conjuntos prontos, mas também peças sobressalentes e acessórios para customização — um movimento que atende tanto entusiastas que montam setups avançados quanto quem busca uma solução plug-and-play.
Como funciona a nomenclatura dos produtos
Outro ponto abordado foi a lógica por trás dos nomes dos produtos Logitech, algo que costuma gerar dúvidas entre consumidores. Filó explicou que, com exceção da linha G Pro — voltada ao público de eSports e a produtos com funções bem específicas — a numeração segue uma lógica incremental: quanto maior o número, mais premium tende a ser a linha.
Em mouses, teclados e headsets essa regra se aplica com frequência. Há ainda um padrão observável: modelos com casas das centenas ímpares geralmente indicam versões sem fio, enquanto as pares são variantes com fio. Essa organização ajuda a comparar gerações e posicionamento de produto, embora coexistam modelos com especificações diferentes dentro de faixas próximas.
Sobre a linha Astro, Filó explica que o nome sinaliza foco em compatibilidade com consoles — produtos Astro são pensados para funcionar com Switch, PlayStation e Xbox, além do PC, embora sempre seja recomendável checar compatibilidades específicas.
Retorno aos eventos e onde testar os produtos
Depois de um período de menor presença em feiras físicas, a Logitech voltou a participar de eventos: esteve na Gamescom Latam 2026 e projeta maior interação com o público em espaços presenciais. A participação em grandes feiras como a Brasil Game Show ainda não foi confirmada oficialmente, mas a intenção é ampliar a exposição e permitir que jogadores testem os produtos.
Para quem não frequenta eventos, a empresa mantém parcerias com redes varejistas para demonstração. Filó cita que a Kalunga costuma oferecer produtos da linha de escritório, enquanto a Fast Shop apresenta periféricos das linhas G e Astro. Pontos físicos da Kabum em São Paulo também são mencionados como locais onde é possível experimentar equipamentos.
Com presença fortalecida, linha quase completa e foco em nichos de alto valor como simuladores de corrida, a Logitech intensifica sua aposta no Brasil: combinação de disponibilidade, assistência local e produtos mais avançados deve manter a empresa em posição de destaque no mercado regional.
