OpenAI pede IPO com avaliação perto de US$ 1 trilhão; Anthropic e SpaceX também avançam em ofertas que podem redesenhar o mercado
Empresa confirmou pedido sem detalhar termos; Reuters divulgou valores que colocam a OpenAI entre as maiores estreias previstas nos EUA, enquanto rivais discutem suas próprias ofertas
A OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT, protocolou um pedido para iniciar o processo de oferta pública inicial (IPO), segundo documentos que não especificaram o tamanho nem os termos da operação. Informações sobre valores e avaliação foram divulgadas pela agência Reuters e colocam a empresa em uma faixa de mercado que pode chegar a cerca de US$ 1 trilhão.
Por que o IPO é relevante
A abertura de capital da OpenAI marca uma possível transformação no financiamento do setor de inteligência artificial, que vem atraindo volume crescente de investimentos. Um IPO permitiria à empresa captar recursos em escala e dar liquidez a investidores, ao mesmo tempo em que tornaria suas contas e governança mais expostas ao mercado.
Concorrência acirrada: Anthropic e a corrida por desenvolvedores
A indústria que a OpenAI ajudou a criar já está mais competitiva. A Anthropic, uma das rivais mais próximas, também entrou com pedido para abrir capital após uma rodada de financiamento que avaliou a companhia em cerca de US$ 965 bilhões e levantou US$ 65 bilhões, segundo relatos. Seus modelos, como Claude e o mais avançado Mythos, têm ganhado demanda entre desenvolvedores e empresas, inclusive em tarefas de programação e detecção de vulnerabilidades.
Analistas dizem que a sucessão de IPOs no setor poderia consolidar a década da IA como destino preferido de investimentos, mas também preocupam-se com a possibilidade de grandes estreias ‘sugar’ capital que poderia financiar empresas menores.
SpaceX mira o maior IPO da história
Paralelamente, a SpaceX avalia sua própria oferta e definiu parâmetros que a colocariam como a maior estreia da história: uma captação de até US$ 75 bilhões baseada em avaliação de mercado de aproximadamente US$ 1,75 trilhão. Se confirmada, a operação mudaria a escala de recursos disponíveis no mercado de capitais norte-americano.
Do origem sem fins lucrativos ao debate público: contornos jurídicos e institucionais
Fundada em 2015 como organização sem fins lucrativos, a OpenAI criou em 2019 uma estrutura com uma divisão lucrativa para financiar o desenvolvimento de sistemas de IA. A governança singular da empresa veio a público em 2023, quando o CEO Sam Altman foi temporariamente afastado e voltou ao cargo em meio a reação dos funcionários.
Em dezembro de 2024, a OpenAI anunciou a criação de uma corporação de benefício público para facilitar captações maiores. O projeto enfrentou críticas do bilionário Elon Musk, que processou a empresa, alegando desvio da missão original. Em maio, um júri dos EUA decidiu contra Musk, reduzindo um fator de incerteza que pesava sobre o IPO.
Com os processos jurídicos em boa parte resolvidos e a corrida por talentos e contratos aquecida, o setor de IA se prepara para uma fase em que as decisões de mercado nas próximas semanas e meses poderão redefinir quais empresas liderarão a próxima etapa de investimento e inovação.
