Por que Meta, Amazon e Google estão financiando pequenos reatores nucleares para abastecer data centers de IA
Big techs fecham acordos com empresas de ‘nuclear avançado’ para garantir eletricidade estável e viabilizar financiamento de projetos que ainda não geraram energia comercial nos EUA
Meta, Amazon e Google anunciaram parcerias para financiar a construção de pequenos reatores modulares (SMRs) nos Estados Unidos em uma corrida para ampliar oferta de energia que atenda à demanda crescente dos data centers impulsionada pela inteligência artificial.
O que as empresas anunciaram
A Amazon firmou acordo com a X-energy para viabilizar reatores que, juntos, prometem cerca de 5 GW de potência até 2039. O Google fechou compromisso com a Kairos Power e mira colocar seu primeiro SMR em operação até 2030. A Meta também tem investimentos no setor: o acordo com a Oklo inclui financiamento para garantir combustível e avançar na primeira fase de um projeto em Ohio.
Por que as big techs estão interessadas
A necessidade de energia está crescendo: a Administração de Informação Energética dos EUA (EIA) projeta alta de consumo de eletricidade de cerca de 1% neste ano e 3% no próximo, impulsionada sobretudo pelos data centers. Para empresas que operam instalações que consomem enormes quantidades de eletricidade, contratos de longo prazo com geradoras oferecem segurança de fornecimento e previsibilidade de custos.
Como os acordos ajudam a destravar financiamento
Analistas dizem que os contratos das big techs dão às geradoras a “certeza de receita” exigida por bancos para aprovar empréstimos de construção. Segundo Shioly Dong, analista da BMI, esse fluxo de receita contratada é crítico para reduzir o risco percebido pelos financiadores. Tim Winter, gestor do Gabelli Utilities Fund, acrescenta que os SMRs têm escala modular e cronogramas menores, o que reduz a exposição ao capital inicial.
Riscos e limitações que ainda permanecem
Apesar do impulso, nenhum desses projetos de “nuclear avançado” já começou a produzir eletricidade comercialmente nos EUA. O setor enfrenta obstáculos como riscos técnicos, custos de construção e o fato de muitos projetos serem pioneiros. Tess Carter, do Rhodium Group, observa que bancos e investidores institucionais estão mostrando interesse, mas ainda não fazem aportes em larga escala. Bonita Chester, porta-voz da Oklo, destaca que a demanda por IA está levando clientes a firmar contratos longos que ajudam a sustentar o desenvolvimento.
Em suma, os investimentos das grandes de tecnologia não eliminam os riscos do setor nuclear, mas fornecem um impulso financeiro e comercial que pode acelerar a viabilização dos SMRs como fonte confiável de energia para a era da inteligência artificial.
