Promotora da Geórgia é suspensa por seis meses após uso de IA gerar citações fictícias em decisão sobre assassinato
Suprema Corte do estado anulou decisão de 2025 que havia negado novo julgamento e determinou revisão sem as referências incorretas
A Suprema Corte da Geórgia puniu a promotora assistente Deborah Leslie nesta terça-feira, 5 de maio de 2026, ao concluir que o uso indevido de ferramentas de inteligência artificial levou à inclusão de citações falsas em uma minuta de decisão ligada a um caso de assassinato. A decisão do tribunal estadual anulou a sentença anterior e impôs sanções profissionais à promotora.
O que a Suprema Corte decidiu
O tribunal identificou “numerosas citações fictícias ou atribuídas erroneamente” em uma decisão de 2025 de um tribunal inferior, que havia negado o pedido de novo julgamento da ré Hannah Payne, condenada à prisão perpétua mais 13 anos por assassinato e cárcere privado de Kenneth Herring. As referências incorretas constavam em uma minuta preparada por Leslie e acabaram sendo incorporadas, em parte, pelo juiz responsável ao emitir a decisão.
Consequências para a promotora
Como penalidade, a corte proibiu que Deborah Leslie atue perante os juízes por seis meses. Além disso, ela deverá passar por treinamento adicional sobre ética, redação de documentos jurídicos e uso apropriado de ferramentas de inteligência artificial. Em nota apresentada anteriormente no processo, Leslie pediu desculpas e reconheceu não ter verificado de forma independente as citações fornecidas pela ferramenta de IA.
Impacto no processo de Hannah Payne
Após a constatação dos erros, a Suprema Corte anulou a decisão que havia negado o novo julgamento e determinou que nova sentença seja elaborada sem as informações incorretas. O advogado de Payne, Andrew Fleischman, afirmou que o erro prejudicou o caso e atrasou a análise de argumentos que, segundo ele, são sólidos para apelação.
Risco do uso de IA em cortes e reflexos para o sistema
O episódio se soma a uma série de casos nos Estados Unidos em que advogados sofreram punições por usar ferramentas de inteligência artificial para pesquisas ou redação sem verificar a veracidade das informações. Especialistas e tribunais têm alertado para os perigos de aceitar automaticamente conteúdo gerado por IA, especialmente quando esse conteúdo sustenta decisões judiciais.
Nem Leslie nem a promotoria do condado de Clayton responderam a pedidos de comentário. A decisão da Suprema Corte reforça a exigência de verificação humana rigorosa e de treinamento específico sobre o uso ético e responsável de tecnologias de IA no âmbito do Judiciário.
Fonte: Reuters, 05/05/2026
