Samsung e sindicato na Coreia do Sul não fecham acordo salarial; greve de 50 mil trabalhadores a partir de 21 de maio ameaça produção de chips e pressiona preços
Maratona de negociações mediadas pelo governo não evitou impasse; primeiro‑ministro pediu esforços para impedir paralisação
A Samsung Electronics e o sindicato que representa seus funcionários na Coreia do Sul não chegaram a um acordo salarial na rodada de negociações realizada nesta quarta‑feira (13), segundo comunicado das partes e relatos da imprensa. O impasse eleva o risco de uma greve que pode envolver mais de 50 mil trabalhadores e paralisar linhas de produção de semicondutores essenciais para a economia do país.
Impasse nas negociações
Após uma maratona de mediação promovida pelo governo nos dias 11 e 12 de maio, as discussões terminaram sem consenso. O representante sindical Choi Seung‑ho afirmou que a empresa rejeitou a principal demanda: mudança no sistema de remuneração que inclui a eliminação do teto de pagamento de bônus. Segundo o sindicato, os trabalhadores receberam bônus menores do que os pagos pela rival SK Hynix, o que alimentou o descontentamento.
O sindicato anunciou a intenção de iniciar uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio caso as reivindicações não sejam atendidas. Choi disse que o grupo não planeja retomar negociações antes da data marcada, mas que avaliará “uma proposta adequada” se a Samsung apresentar nova oferta.
Reações da Samsung e intervenção do governo
A Samsung lamentou o fracasso das negociações e afirmou que manterá um “diálogo sincero” com o sindicato na tentativa de evitar o que chamou de “pior cenário possível”. O governo sul‑coreano convocou reunião de emergência com ministros relacionados ao tema; o primeiro‑ministro Kim Min‑seok pediu gestão próxima da situação e “apoio proativo” para manter o diálogo e impedir a greve.
A Comissão Nacional de Relações Trabalhistas, que atuou como mediadora, disse ter apresentado alternativas, mas decidiu encerrar as discussões devido à grande divergência entre as posições e ao pedido do sindicato para suspender as negociações.
Impacto econômico e cadeia de semicondutores
Especialistas e autoridades alertam que uma paralisação pode atrasar entregas, elevar custos e contribuir para alta nos preços dos chips globalmente. A participação dos semicondutores nas exportações sul‑coreanas tem crescido — segundo dados do governo, o setor respondeu por 37% das exportações em abril, ante cerca de 20% no ano anterior — tornando a economia do país particularmente sensível a interrupções.
Além do efeito direto na produção da Samsung, analistas apontam que uma greve prolongada poderia beneficiar concorrentes e agravar pressões sobre cadeias globais de suprimento já tensionadas.
Com prazos curtos para negociação e consequente risco de paralisação, o quadro nos próximos dias será observado de perto por clientes, concorrentes e autoridades, que tentam evitar um conflito com impactos amplos para a economia sul‑coreana e o mercado mundial de semicondutores.
