SpaceX completa 12º voo da Starship V3 no Texas: veja vídeos, entenda o reabastecimento orbital e o que muda para missões à Lua

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SpaceX completa 12º voo da Starship V3 no Texas: veja vídeos, entenda o reabastecimento orbital e o que muda para missões à Lua

Lançamento sem tripulação testou nova geração da nave, que liberou satélites Starlink e perdeu parcialmente um motor, mas completou a manobra de retorno; empresa mira voos mais longos e reuso mais rápido

A SpaceX realizou na noite de sexta-feira (22) o 12º voo de teste da Starship, a maior nave já construída, a partir da base da empresa no Texas. O veículo que decolou sem tripulantes é a versão V3 da Starship, projetada para missões mais longas e com sistemas que permitem reabastecimento em órbita.

Resumo do voo e o que foi testado

A decolagem ocorreu por volta das 20h30, horário de Brasília. Cerca de uma hora após o lançamento, o estágio superior da Starship completou a separação e liberou carga — entre ela 20 simuladores de satélites Starlink e dois satélites reais que gravaram imagens externas da nave. Imagens transmitidas ao vivo e vídeos amadores registraram a separação e trechos da trajetória.

Durante o voo, a nave chegou a perder um de seus motores, mas a equipe da SpaceX conseguiu executar a manobra de retorno e concluir o perfil de missão previsto. O estágio superior pousou e ficou coberto por chamas ao final da sequência, segundo imagens e relatos da própria empresa.

A decolagem do dia foi a segunda tentativa: um lançamento agendado para quinta-feira (21) foi adiado por causa de uma falha na torre de lançamento.

O que muda na Starship V3

A SpaceX descreve a V3 como uma versão redesenhada para permitir voos mais longos e intervalos menores entre as operações. As principais alterações incluem:

  • Tanques de combustível ampliados para maior capacidade de missão;
  • Sistema de propulsão repaginado, com ajustes na configuração dos motores;
  • Mecanismo de transferência de combustível em órbita, ferramenta essencial para futuros voos além da órbita terrestre baixa.

O reabastecimento em órbita é visto pela companhia como peça-chave para transformar a Starship em uma plataforma capaz de missões à Lua e até a Marte, além de viabilizar um ritmo de lançamentos muito maior — a empresa já discutiu internamente metas ambiciosas, como múltiplos lançamentos por dia em cenários ideais.

Carga lançada e filmagens externas

Além dos 20 simuladores de Starlink, dois pequenos satélites reais acoplados foram alterados para filmar a Starship pelo lado de fora. As imagens captadas ajudaram a validar aspectos de aerodinâmica e mecanismos de separação, entregando dados visuais que complementam telemetria e testes estruturais.

Contexto dos testes anteriores

O programa Starship teve uma série de resultados variados desde o primeiro voo, em abril de 2023. Alguns marcos importantes:

  • 1º voo (abr/2023): explosão quando ainda acoplada ao propulsor Super Heavy; destruição programada após falha.
  • 2º voo (nov/2023): Super Heavy explodiu após separação; FAA exigiu correções e a SpaceX adotou 17 mudanças no projeto.
  • 3º voo (mar/2024): duração de 50 minutos, nave foi destruída mas houve avanço em alcance e procedimentos.
  • 4º voo (jun/2024): primeiro teste considerado bem-sucedido; pouso no Oceano Índico e do Super Heavy no Golfo do México.
  • 5ª a 7ª missões (2024–2025): melhorias na recuperação do propulsor, com captura em ar em uma ocasião e consequências operacionais variadas.
  • 8º e 9º voos: perdas de contato com a nave em pontos distintos da trajetória e queda de destroços que afetaram tráfego aéreo em regiões como Bahamas e Caribe.
  • 10º e 11º voos: avanços na entrega de carga e recuperação; o 11º voo (out/2025) foi apontado como bem-sucedido, com pousos esperados no oceano.

Ao longo do programa, a empresa encarou investigações regulatórias e falhas, mas também colecionou aprendizados que permitiram reduzir intervalos entre testes e aprimorar técnicas de reuso.

Financiamento, avaliação e próximos passos

O projeto Starship já recebeu investimento bilionário: a Reuters estimou que a SpaceX gastou mais de US$ 15 bilhões no desenvolvimento até o momento. A empresa também protocolou pedidos relacionados à abertura de capital e o fundador Elon Musk sugeriu avaliações públicas elevadas da companhia, embora tais números superem em muito as receitas reportadas — o faturamento anual registrado foi de US$ 18,5 bilhões em 2025.

Por trás dos testes, a meta é clara: tornar a Starship um veículo reutilizável capaz de cumprir missões complexas, como contratos com a Nasa para voos à Lua. Para isso, a empresa precisa consolidar a confiabilidade dos motores, garantir a segurança das operações de reabastecimento orbital e reduzir o impacto de eventuais destroços no tráfego aéreo e marítimo.

A SpaceX informou que seguirá com novas tentativas de voo e ajustes operacionais nos próximos meses. Analistas e autoridades regulatórias acompanham de perto a evolução dos testes, enquanto entusiastas e observadores seguem registrando imagens e vídeos das operações — muitos desses trechos estão disponíveis em redes sociais e plataformas de vídeo, onde são amplamente compartilhados.

Veja também os vídeos e imagens liberados pela missão para conferir a separação em órbita e os registros externos feitos pelos satélites acoplados.

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