Zuckerberg diz que aumento de investimentos em inteligência artificial força Meta a cortar 10% do quadro e não descarta novos cortes
CEO atribui reduções a escolha por mais gasto em infraestrutura de IA e afirma que investimentos em uma área reduzem capital para outras — demissões começam em 20 de maio
O presidente-executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou nesta quinta-feira (30) que as demissões em massa planejadas na controladora do Facebook são consequência do aumento dos investimentos da empresa em inteligência artificial (IA). Segundo ele, priorizar gastos com infraestrutura de computação e tecnologias de IA implica menos capital disponível para manter a mesma quantidade de funcionários.
Causa oficial dos cortes
Em reunião com funcionários, Zuckerberg disse que a Meta pretende demitir cerca de 10% de sua força de trabalho em 20 de maio e pode anunciar cortes adicionais ainda no segundo semestre. “Temos basicamente dois grandes centros de custo na empresa: infraestrutura de computação e coisas voltadas para as pessoas”, declarou. “Se estivermos investindo mais em uma área para atender à nossa comunidade, isso significa que teremos menos capital para alocar na outra. Portanto, isso significa que precisamos reduzir um pouco o tamanho da empresa.”
O executivo também afirmou que os cortes não estão diretamente relacionados à reorganização das equipes em torno de uma nova estrutura “nativa de IA” nem à criação de agentes de IA capazes de executar tarefas de trabalho de forma autônoma. Ainda assim, ele admitiu incerteza sobre o futuro: “Eu gostaria de poder dizer a vocês que tenho um plano de bola de cristal para os próximos três anos sobre como tudo isso vai se desenrolar. Não tenho. Acho que ninguém tem”.
Reação dos funcionários e preocupações internas
O silêncio inicial da empresa sobre os cortes gerou indignação entre empregados. Em fóruns internos, alguns colaboradores criticaram abertamente Zuckerberg e outros líderes. A preocupação aumentou diante de iniciativas recentes da Meta que monitoram movimentos do mouse, cliques e pressionamentos de teclas, com objetivo declarado de treinar agentes de IA — um esforço que muitos funcionários enxergam como potencialmente relacionado à automação de tarefas.
Zuckerberg tentou dissipar parte dos temores ao afirmar que “fazer com que todos usem internamente as ferramentas de IA e fazer o trabalho de forma mais eficiente não é o que está causando as demissões”, mas reconheceu que a situação pode evoluir conforme novos produtos e estruturas sejam implementados.
O que vem a seguir e impacto no mercado
A confirmação das demissões de maio marca a primeira vez que Zuckerberg se dirigiu diretamente aos empregados desde que a Reuters divulgou o plano, em março. A empresa confirmou somente os cortes programados para 20 de maio e preferiu não comentar publicamente outras possíveis reduções de pessoal.
Analistas dizem que a decisão reflete um movimento mais amplo do setor de tecnologia: empresas reequilibram gastos entre investimento em infraestrutura de IA, que demanda grandes centros de dados e hardware especializado, e custos com pessoal. Para a Meta, a aposta é que a aceleração em IA aumente competitividade e produto, mas o ajuste no número de funcionários pode afetar moral interna e a execução de projetos de médio prazo.
Mensagem aos empregados
Na reunião, Zuckerberg afirmou que a empresa poderá “compartilhar mais em breve” sobre a evolução dos planos. Até lá, confirmou o cronograma de 20 de maio para o primeiro conjunto de demissões e deixou em aberto a possibilidade de novas rodadas de cortes conforme a estratégia de investimento avance.
